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Alunos sem docentes para aulas práticas

Lourenço Bule| Menongue

A falta de professores formados em Agronomia está a dificultar a realização de aulas práticas e estágios complementares dos primeiros 74 finalistas do Instituto Médio Agrário (IMA) do Missombo, na província do Cuando Cubango, informou ontem o director da instituição.

Estudantes finalistas deste ano lectivo correm o risco de serem colocados no mercado de trabalho sem quaisquer noções práticas
Fotografia: Nicolau Vasco

Mateus Gabriel Dala explicou que, em 2014, quando começou o primeiro curso, as aulas eram asseguradas por professores agrónomos não efectivos da Huíla, Huambo e Bié. Dois anos mais tarde, estes tiveram de regressar às suas províncias de origem, por falta de pagamento de salários.
Desde essa data, para assegurar a continuidade do funcionamento da instituição, o Governo teve de recorrer aos professores locais do segundo ciclo, que ministram apenas aulas teóricas.
Por esta razão, os finalistas deste ano, quer os 45 do curso de produção vegetal quer os outros 29 de produção animal, vão para o mercado de trabalho sem quaisquer noções práticas.
Mateus Gabriel Dala disse que, com a abertura do IMA, se pretendia  também administrar os cursos básicos de auxiliar de agricultura, pecuária, aquicultura, apicultura e mecanização agrícola, mas, por falta de condições técnicas e de quadro docente, o projecto não arrancou, uma vez que trabalha maioritariamente com colaboradores.
Além da escassez de professores, o IMA debate-se  com a falta de energia eléctrica e de meios de transporte. Actualmente, os alunos pagam uma verba mensal de 1.500,00 kwanzas para o aluguer de um autocarro.
Mateus Gabriel Dala disse que a instituição é assegurada por oito professores efectivos e 20 colaboradores e que no presente ano lectivo, a instituição tinha disponíveis 540 vagas, mas, devido ao elevado grau de dificuldades, apenas 70 lugares foram preenchidos. Mateus Gabriel Dala salientou que o Instituto Médio Agrário do Missombo, desde a sua inauguração, nunca beneficiou de energia eléctrica da rede pública e o grupo gerador instalado também nunca funcionou, facto que originou a paralisação das aulas de informática e do uso dos laboratórios.
Em função das várias dificuldades, o gestor do instituto prognostica mesmo o encerramento da escola, caso não sejam ultrapassados os  problemas durante este ano lectivo.
O laboratório de solos, com equipamentos de última geração, inaugurado em 2015, encontra-se em estado de abandono, tendo em conta que “nunca funcionou por falta de técnicos especializados”, disse Mateus Dala, que explicou que o IMA tem um orçamento anual de 130 milhões de kwanzas, sendo 27 milhões para pagamento de bens e serviços e 103 milhões para o pessoal,  valor que não é usado por falta de folhas de salário.
O Instituto  Agrário do Missombo conta com 24 salas de aulas, para albergar 1.552 estudantes de dois turnos, e tem laboratórios, biblioteca, lavandaria, refeitório, internato para 300 alunos e residências para professores.

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