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Antigos militares pedem apoio urgente

Carlos Paulino | Menongue

 Os ex-militares têm vindo a contribuir, ao lado do Governo, no processo de reconstrução e desenvolvimento do nosso país, mas apesar disso sentem-se pouco apoiados. Um desmobilizado disse à nossa reportagem “sentimo-nos filhos sem pai atirados à sua sorte”.

Ex-militares e membros da Associação de Apoio aos Combatentes das Ex-FAPLA à mesma mesa para perspectivar acções de reintegração
Fotografia: Nicolau Vasco

 Os ex-militares têm vindo a contribuir, ao lado do Governo, no processo de reconstrução e desenvolvimento do nosso país, mas apesar disso sentem-se pouco apoiados. Um desmobilizado disse à nossa reportagem “sentimo-nos filhos sem pai atirados à sua sorte”.
 Os antigos militares dizem que periodicamente são registados pelo Instituto de Reintegração Socioprofissional dos Ex-militares (IRSEM) mas continuam sem qualquer apoio.
 Os membros da província do Kuando-Kubango da Associação de Apoio aos Combatentes das ex-FAPLA (ASCOFA) tiveram um encontro com o presidente da instituição, brigadeiro António Fernando Samora, que visitou a região para oficializar a associação junto do governo local.
      Um memorando apresentado pelos antigos militares, refere que muitos dos seus companheiros morreram deixando órfãos e viúvas. O documento salienta que na província do Kuando-Kubango ainda existem ex-militares não desmobilizados e que continuam à espera de serem inseridos na sociedade.
 Os ex-FAPLA no Kuando-Kubango, afirma-se no memorando, têm grande dificuldsdes para receber os subsídios.
 “Muitos de nós estamos sem emprego, tendo em vista que a idade já não nos permite a inserção na função pública. Razão pela qual solicitamos um tratamento digno, pois combatemos ao lado do Governo na defesa da pátria e da soberania”, diz o documento dos ex-militares. 
 
Apoio aos jovens
 
 Os desmobilizados pediram ao brigadeiro António Fernando Samora que incentive as instituições oficiais a prestarem mais atenção aos projectos dos antigos combatentes das FAPLA na província do Kuando-Kubango. Querem que os seus filhos sejam contemplados no Programa Angola Jovem e lhes seja garantido crédito à habitação e bolsas de estudo.
 No encontro com o brigadeiro António Fernando Samora os antigos combatentes das FAPLA pediram igualmente terrenos para a construção de habitações.
“Estamos cientes que com a vinda do brigadeiro António Fernando Samora à província, algo vai ser feito para a mudança da página em prol dos ex-militares que tudo fizeram e deram para que Angola hoje viva este momento tão importante de reconciliação nacional”, salienta o documento.

Uma vida melhor     

O presidente da Associação de Apoio aos Combatentes das ex-FAPLA (ASCOFA), brigadeiro António Fernando Samora, garantiu que vai acelerar junto do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA) a oficialização das reformas dos antigos militares e a sua integração na Caixa de Segurança Social.
 Considerou que  é difícil o tratamento imediato destas questões, devido ao elevado número de desmobilizados no quadro de Bicesse, Lusaka e Luena. O brigadeiro António Fernando Samora salientou que existe um trabalho conjunto entre a Direcção Nacional da ASCOFA e o comité central do partido MPLA, através do departamento para as questões dos antigos combatentes e veteranos da pátria, no sentido de encontrar soluções para os problemas.
 A Associação de Apoio aos Combatentes das ex-FAPLA assumiu a responsabilidade de ajudar todos os antigos combatentes, disse o brigadeiro Samora.
 Durante a sua permanência de três dias na província do Kuando-Kubango, António Fernando Samora teve uma audiência com o primeiro secretário provincial do MPLA, Manuel Francisco Tuta “Batalha de Angola”, visitou a delegação da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, o comando da Polícia Nacional, o comando da 5ª Divisão Militar  Sul e teve um encontro com os combatentes das Ex-FAPLA.  
 
 Os grandes desafios

O presidente da Associação de Apoio aos Combatentes das ex-FAPLA (ASCOFA), defendeu a necessidade da comunidade dos ex-militares e suas famílias se mobilizarem para os grandes desafios da luta pela eliminação da fome e da pobreza.
 O brigadeiro António Fernando Samora, que dissertava durante um encontro com os membros da ASCOFA, disse que a instituição está consciente da realidade que o país vive e do grande esforço e empenho do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, para melhorar as condições de vida de todos os angolanos.
 “O senhor Presidente da República tem-se preocupado com os problemas dos antigos combatentes, por isso, temos a garantia que o futuro será de alegrias, fundamentalmente para os nossos filhos”, frisou.
 A ASCOFA tem como objectivo principal a promoção de registo de todos os ex-combatentes das FAPLA, para serem encaminhados para os programas de reintegração social sob a responsabilidade do Ministério da Assistência e Reinserção Social (MINARS), recebendo formação profissional e bolsas de estudos. O brigadeiro Samora pediu à direcção do fundo de apoio aos ex-militares para avaliar a situação e sejam revistas as modalidades de acesso a projectos que melhorem as vidas dos ex-militares.
 Segundo António Samora esta já é uma realidade em algumas províncias em áreas como a agropecuária, pesca, artes e ofícios e comércio. Acrescentou que a extensão dos projectos a todo o território nacional esbarra fundamentalmente na falta de financiamentos.
Durante a reunião, Lucas Manuel Cassela foi apresentado como representante da ASCOFA na província do Kuando-Kubango.        

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