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Apreendidas grandes quantidades de carvão

Lourenço Bule | Menongue

Mais de 35 toneladas de carvão foram apreendidas na periferia da cidade de Menongue, durante uma operação de rotina dos fiscais florestais em coordenação com efectivos da Polícia Nacional revelou ao Jornal de Angola, o chefe do Departamento do Ambiente no Kuando-Kubango, Júlio Bravo.

Operação foi desencadeada na via Menongue/Cuito Cuanavale onde muitos madereiros furtivos abatem árvores para a produção de carvão
Fotografia: Nicolau Vasco

A operação foi desencadeada ao longo da estrada entre Menongue e Cuito Cuanavale, onde muitos madeireiros furtivos se dedicam ao abate de árvores para a produção de carvão, o que está a contribuir para a desertificação acentuada da região.
Júlio Bravo referiu que os produtores de carvão são incentivados por camionistas: “temos informações de que camionistas e comerciantes mandam confeccionar grandes quantidades de carvão e no dia combinado aparecem com camiões, pagando entre 300 a 500 kwanzas o saco”, sublinhou o responsável do Ambiente no Kuando-Kubango.
O carvão tem como destino a cidade de Luanda, onde cada saco chega a ser vendido a cinco mil Kwanzas, acrescentou Júlio Bravo. Os especialistas do Ambiente também estão preocupados com as queimadas feitas por camponeses, criadores de gado e produtores de carvão, pondo em causa as futuras gerações. “Nunca se sabe quem são os autores das queimadas”, reconheceu Júlio Bravo, defendendo a sensibilização e educação das comunidades para os problemas que estas práticas acarretam a curto, médio e longo prazo. Explicou que quer as queimadas e o abate indiscriminado de árvores e de animais é uma prática secular, que se prolongou durante a guerra, afectando a biodiversidade com reflexos muito negativos na vida humana. “Precisamos das florestas para a produção de oxigénio que garante a existência humana e das espécies animais”, sublinhou Júlio Bravo, defendendo a formação contínua de fiscais florestais, para combater os permanentes “atentados à natureza”.

Exploração de inertes

O responsável do Ambiente no Kuando-Kubango reconheceu a existência de muitas empresas de construção e de exploração de inertes que não respeitam todos os parâmetros de impacto ambiental, advertindo que podem pagar avultadas multas.
Júlio Bravo disse que o seu departamento carece de meios técnicos para fazer a cobertura total do vasto território do Kuando-Kubango e pediu aos homens de negócios e à população para terem uma conduta honesta e deixarem de lapidar os recursos naturais.
 O Departamento do Ambiente, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Floresta (IDF), plantou este ano na cidade de Menongue mais de 15 mil árvores, para contribuir para o equilíbrio ambiental, explicou. Questionado sobre a ornamentação, salientou que “ainda é prematuro falar de espaços verdes, visto que a nossa cidade esta a ser requalificada”.
O chefe do Departamento do Ambiente revelou que estão a ser desenvolvidas acções de sensibilização junto das populações, escolas, igrejas e quartéis para a criação de jardins e campanhas de limpeza nas zonas urbanas e suburbanas.

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