Províncias

Aumentam locais impróprios para fazer o abate de gado

Lourenço Bule | Menongue

O chefe de Departamento do Instituto Provincial do Cuando Cubango dos Serviços de Veterinária, Benedito Daniel, manifestou-se, quarta-feira, na cidade de Menongue, seriamente preocupado com o aumento na província de locais impróprios de abate de gado bovino, sem as mínimas condições de higiene, estando o consumo da carne a colocar em risco a saúde humana.

A província do Cuando Cubango controla mais de trezentas mil cabeças de gado bovino
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro | Menongue

Em declarações ao Jornal de Angola, Benedito Daniel disse que outra situação grave na região é o facto dos animais abatidos nestes locais não serem testados pelos técnicos dos Serviços de Veterinária, para se aferir se estão com saúde ou são portadores de doenças contagiosas para os seres humanos.
Segundo o médico veterinário Benedito Daniel, a preocupação prende-se também com o facto de a maioria das cabeças de gado bovino  abatida nestes locais impróprios e sem o controlo da sua instituição ser de animais praticamente sacrificados por estarem debilitados ou envelhecidos. Fez saber que a nível da província do Cuando-Cubango o Instituto dos Serviços de Veterinária controla quatro casas de abate de gado bovino na cidade de Menongue, e que diariamente são inspeccionadas e supervisionadas pelos técnicos da instituição. Benedito Daniel apelou por este facto à população para não comprar carne de animais abatidos em locais inadequados e denunciar sempre que for abatida uma cabeça de gado bovino debilitada e que aparentemente se suspeita que esteja doente.
O chefe de departamento do Instituto Provincial dos Serviços de Veterinária lamentou o facto de até agora o Cuando-Cubango, que tem uma população bovina estimada em mais de 300 mil cabeças de gado, não contar com um matadouro, razão pela qual verifica-se o aumento de locais inadequados de abate de animais.

Campanha de vacinação

Benedito Daniel mostrou-se ainda preocupado devido à falta de viaturas a todo-o-terreno, meios técnicos para conservação de vacinas e de logística, que estão a condicionar a campanha de vacinação de gado bovino e animais de estimação na província do Cuando-Cubango, que teve início no passado mês de Julho.
Salientou que este problema tem dificultado consideravelmente o processo de vacinação em todo o território da província, visto que até ao momento apenas foi possível vacinar 9.219 cabeças de gado bovino, das mais de 60 mil previstas, e 2.333 animais de estimação, nos municípios de Menongue e Cuangar.
Acrescentou que no município do Cuangar foram vacinadas 8.436 cabeças de gado bovino e 15 animais de estimação, ao passo que no município de Menongue foram imunizadas 283 cabeças de gado bovino e 2.318 animais de estimação, entre macacos, cães e gatos.
Questionado sobre o facto de a campanha de vacinação ainda não ter chegado aos municípios do Cuchi e Cuito Cuanavale, localidades próximas da capital da província, Menongue, e ligadas por estrada asfaltada, disse que nestas regiões o pasto de animal se encontra em zonas recônditas e devido à falta de meios de transporte não está a ser possível aos técnicos veterinários descolarem-se para lá.
Benedito Daniel disse que o Instituto Provincial dos Serviços de Veterinária conta com apenas 15 técnicos e três viaturas de marca Toyota Hilux, meios rolantes que impossibilitam aos especialistas deslocarem-se às zonas mais recônditas e de difícil acesso.  “Os municípios de Menongue e Cuangar são os únicos com zonas de pasto animal de fácil acesso. No Cuchi, Cuito Cuanavale, Calai, Dirico, Mavinga, Nancova e Rivungo os animais por vacinar se encontram em locais de difícil acesso”, disse, acrescentando que, devido a essas dificuldades, o programa de vacinação a nível no Cuando Cubango estava paralisado.

Apoio de estudantes

Pelo menos, 60 mil cabeças de gado bovino vão ser vacinadas contra carbúnculo sintomático e hemático, PPCB e dermatite, durante a campanha de vacinação que teve início quarta-feira, no Cuando Cubango.
Os dados foram relevados pelo chefe de departamento dos Serviços Veterinários, Benedito Daniel, que explicou estarem disponíveis para o efeito 60 mil doses de vacinação de PPCB, 51 mil de dermatite, 71 mil de carbúnculo sintomático e 58 mil de carbúnculo hemático.
Sem avançar a data do término da presente campanha, o responsável assinalou que no ano de 2016 não houve vacinação por causa da febre aftosa, que assolou aquela região do país.
Fez saber que o departamento que dirige conta com vinte técnicos, 15 dos quais para a vacinação, com a participação de estudantes.

Tempo

Multimédia