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Aumentam os casos de abortos em adolescentes

Carlos Paulino | Menongue

Mais de 20 casos de abortos, sobretudo em adolescentes menores de 18 anos, são registados mensalmente na maternidade provincial do Cuando Cubango, situação que tem preocupado as autoridades sanitárias locais, disse ontem ao Jornal de Angola, em Menongue, a directora da unidade hospitalar.    

As grávidas são aconselhadas a aderir às consultas médicas para evitarem patologias graves
Fotografia: Nicolau Vasco|Menongue

Delfina Jamba esclareceu que tal situação acontece por muitas gestantes evitarem as consultas pré-natais e outras por ingerirem medicamentos para interromperem a gravidez.
 Por este facto, a directora da maternidade recomendou às grávidas a aderirem às  consultas médicas, desde o primeiro mês de gestação e até aos 45 dias depois do parto, referindo que só assim podem evitar certas patologias, com realce para a malária, que tem sido também uma das principais causas de casos de aborto. 
 “É necessário que as mulheres grávidas adirem às consultas médicas no sentido de se evitar mortes maternas, nascimento de bebés mortos ou ainda má formação congénita”, disse.
Defina Jamba apelou aos pais e encarregados de educação a darem primazia ao diálogo com filhos, para evitarem gravidez precoce ou doenças sexualmente transmissíveis, que comprometem o seu futuro.
Entre os meses de Janeiro e Abril deste ano, a maternidade provincial realizou 728 partos, sendo 47 cesarianas, dos quais 674 resultaram em nados vivos e 54 nados mortos. De Janeiro a Abril deste ano, 2.310 mulheres aderiram às consultas pré-natais, ao passo que no mesmo período do ano anterior o registo chegou a 5.911. 
Em 2015, a maternidade realizou, no mesmo período, 2.079 partos com 1.911 nados vivos e 168 mortos. Também efectuou 226 cesarianas e registou 38 mortes maternas, 72 mulheres grávidas com VIH/Sida e 65 casos de corte de transmissão vertical.
A directora da maternidade provincial, Delfina Jamba, manifestou preocupação com o aumento considerável de mulheres grávidas com VIH/Sida, que acabam por ser detectadas por altura das consultas pré-natais, uma vez que são obrigadas a fazer o teste da doença para conhecerem o seu estado serológico.
 A maternidade tem 42 camas de internamento e o serviço é assegurado por 161 funcionários, com realce para três médicos, dos quais dois de nacionalidade coreana e um angolano.
Delfina Jamba apontou a falta de um bloco operatório, como uma das necessidades da unidade hospitalar, o que obriga à evacuação de muitas grávidas que necessitam de intervenção cirúrgica.
 Por esta razão, apelou às autoridades da província e à Direcção Provincial da Saúde no sentido de envidar esforços para a resolução do problema o mais breve possível.

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