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Aumentam os casos de paludismo na província do Kuando-Kubango

Nicolau Vasco | Menongue

A província do Kuando-Kubango registou nos primeiros cinco meses deste ano 23.235 casos de malária (paludismo), nas consultas hospitalares, significando um aumento considerável de pessoas afectadas pela doença.

A província do Kuando-Kubango registou nos primeiros cinco meses deste ano 23.235 casos de malária (paludismo), nas consultas hospitalares, significando um aumento considerável de pessoas afectadas pela doença.
No mesmo período, a doença provocou a morte de 47 pacientes, maioritariamente crianças, segundo dados fornecidos ontem pela supervisora provincial do Programa Nacional de Luta contra a Malária, Juliana Lopes Canjuluca.
No período homólogo do ano passado, a província registou 15.­622 casos de doença, com 69 óbitos, o que significa que houve um aumento de 7.235 casos, mas uma redução de 22 mortes.
Actualmente, cerca de 100 pacientes acorrem diariamente aos hospitais por causa da malária. Des­te número, entre 20 a 30 doentes, maioritariamente crianças, ficam internadas.
A capital da província, Menongue, é a zona mais afectada, disse a supervisora do Programa de Luta contra a Malária.
O Hospital Central de Menongue, com uma capacidade de 240 camas, neste momento está congestionado com doentes em tratamento da malária.
A supervisora afirmou que o aumento substancial de casos de paludismo, durante os primeiros cinco meses, deveu-se essencialmente às águas estagnadas, ao deficiente saneamento básico e à existência de muito capim nas zonas residenciais.
Estes factores, disse a responsável, facilitaram a reprodução do mosquito, vector da doença, e consequentemente o aumento do número de pessoas infectadas. Outra razão apontada pela supervisora tem a ver com a falta de educação sanitária nas comunidades que, ao invés de utilizarem os mosquiteiros impregnados com insecticida para se defenderem dos mosquitos, servem-se deles na pesca artesanal.
Juliana Lopes Canjuluca lamentou ainda o facto de a nível local não existir um único carro de fumigação para as actividades de pulverização das zonas de reprodução dos mosquitos.
 
Falta de medicamentos

A supervisora realçou que as autoridades sanitárias usam, no tratamento da malária, o Coarten e o Artemeter, para os casos menos complicados, e o quinino para as ocorrências mais graves. Para as mulheres grávidas, é recomendada a dose única de Fansidar, medicamento que não existe actualmente nos hospitais e postos médicos da província.
As autoridades locais têm envidado esforços para ultrapassar a situação, sem resultado, o que obriga os doentes a recorrer às farmácias privadas.
 
Distribuição de mosquiteiros
 
Nos cinco meses deste ano, as autoridades sanitárias distribuíram 1.520 mosquiteiros tratados com insecticida, quando no período homólogo do ano passado foram entregues 5.780.A nível da prevenção, o Programa de Combate à Malária, em parceria com médicos cubanos, procedeu no ano passado à aplicação intensiva nos lares e nas áreas residenciais de dois produtos, denominados Biolarvesida e Biorat, para a eliminação das larvas dos mosquitos e de ratos. As sedes municipais de Menongue, Cuchi, Cuito-Cuanavale, Cuangar e Calai foram as mais visadas neste processo.
No mesmo período, realizaram-se 134 palestras, com vista a esclarecer as populações para a necessidade do combate ao paludismo.

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