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Autoridades travam a progressão de ravinas de grandes proporções

Lourenço Bule| Menongue

Três ravinas, das 11 de grandes proporções existentes no Cuito Cuanavale, província do Cuando Cubango, começaram a ser estancadas ontem, cujas obras, com o término previsto para Junho próximo, estão a cargo da construtora Tecnovia Angola.

As ravinas situadas no Cuito Cuanavale são maioritariamente de grande extensão, pelo que serão submetidas a uma intervenção de fundo
Fotografia: Carlos Paulino | Edições Novembro

Duas destas ravinas estão situadas junto do Memorial da Batalha do Cuito Cuanavale. A maior tem 450 metros de cumprimento e 80 de largura, mas elas amaçam destruir dezenas de infra-estruturas sociais e cortar a circulação entre os municípios de Mavinga e Rivungo.

O director de obras da Tecnovia, Bruno Marques, disse ao Jornal de Angola que os trabalhos de estancamento cingem-se na feitura de aterros para fechar as zonas afectadas e a criação de sistemas de drenagem a céu aberto, com betão armado constituído com canais e valetes.
Apontou como dificuldades para a execução das obras, as constantes chuvas que assolam o Cuito Cuanavale nos últimos dias. “O projecto está a ser desenvolvido no sentido de se criar um caminho para as águas fluírem para outros ramos”, disse.
Interrogado sobre o cumprimento do prazo para a entrega das obras, disse que “tudo está a mercê do dono da obra”, referindo-se ao pagamento na totalidade dos trabalhos.“Neste momento a obra já tem uma execução física de 50 por cento”,disse para acrescentar: “Esta obra de grande dimensão tem de estar sujeita periodicamente a verificações técnicas, para se avaliar os riscos das correntezas das águas das chuvas susceptíveis de causarem novas aberturas onde está a ser efectuado o estancamento”.
O técnico fez saber que estão envolvidos nos trabalhos 100 funcionários nacionais e 10 expatriados.

Contenção das ravinas
O administrador municipal do Cuito Cuanavale, Daniel Dumba, disse que a instituição que dirige estava a ponderar desalojar todas as famílias que vivem nas zonas adjacentes às ravinas, devido ao perigo a que estão expostas.“Mais de 300 casas foram afectadas pela progressão das ravinas, e tivemos de apoiar as famílias que perderam as residências com materiais de construção”, disse.
A Administração do Cuito Cuanavele, segundo Daniel Duma, tem registado 11 ravinas com mais de 10 metros de profundidade. “A progressão destas ravinas deve ser travada imediatamente para que não provoquem mais estragos”, aconselha.
Segundo Daniel Dumba, o Cuito Cuanavale tem um terreno bastante arenoso, “e num dia de intensa chuva, as pequenas ravinas podem alastrar-se a uma dimensão de 100 metros de comprimento”.

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