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Caçadores abatem dezenas de elefantes

Nicolau Vasco| Luiana

Caçadores clandestinos da Zâmbia continuam a dizimar dezenas de animais a nível do Parque Nacional de Luiana, no município do Rivungo, com destaque para mais de 30 elefantes, desde Fevereiro, denunciou na segunda-feira a administradora comunal.

Parque Nacional do Luiana assim como outras reservas naturais a nível da província são ricos em biodiversidade
Fotografia: Nicolau Vasco| Luiana

Cristina Capapo disse que administração comunal recebe semanalmente várias denúncias de chacinas de elefantes, que se suspeitam sejam perpetrados por caçadores furtivos zambianos.
A administradora lamentou que a situação já tenha provocado um confronto entre efectivos da Guarda Fronteira angolana e quatro caçadores clandestinos, prováveis zambianos, causando a morte de um destes, depois de os infractores terem morto um elefante, por volta das 16h00 do dia 13, a cerca de 38 quilómetros da localidade da Jamba, e tentavam apoderar-se dos marfins.
“Ao serem abordados pelos efectivos da Polícia, os caçadores dispararam à queima-roupa contra os homens da Guarda Fronteira e, na sequência da troca de tiros, um dos invasores foi, infelizmente, atingido mortalmente, enquanto os outros três se puseram em fuga”, explicou.
Cristina Capapo acrescentou que, com a vítima, encontrada sem documentos que pudessem facilitar a sua identificação, foi descoberta uma arma do tipo Magna 375, de origem holandesa, que é utilizada habitualmente para a caça de mamíferos de grande porte, como elefantes, búfalos e rinocerontes.
Com o cadáver, além da arma que continha uma fita com símbolos da bandeira da Zâmbia, encontraram-se 20 munições, dois chifres de marfim, um machado e alguns pertences de uso doméstico. Os caçadores furtivos zambianos costumam entrar facilmente em Angola, através do Rio Cuando, onde simulam estar a pescar para, na calada da noite, entrarem em território nacional, mais concretamente na localidade da Jamba, com a intenção de praticarem caça ilegal de elefantes.
“Pelas informações que temos, os caçadores são apoiados por uma rede de traficantes de marfim residentes na República da Zâmbia”, denunciou a administradora.

Consequências da caça furtiva

Devido à caça clandestina, todos os dias se registam casos de animais que fogem para a Zâmbia, Namíbia e Botswana, onde os bichos procuram melhores condições de sobrevivência e segurança.
O Parque Nacional do Luiana, no município do Rivungo, assim como outras reservas naturais a nível da província do Kuando-Kubango, são ricos em biodiversidade, possuem uma fauna invejável, com destaque para a palanca real, elefantes, rinocerontes, hipopótamos, guelengues, ngungas e leões.
Os referidos espaços possuem ainda animais, como leopardos, hienas, onças, pacaças, javalis, mabecos, cágados, avestruzes, pangolins, além de uma diversidade de aves e répteis, que têm sido alvo de abates indiscriminados.

Comissão apura morte


O Governo Provincial do Kuando-Kubango disponibilizou uma aeronave ao serviço do Ministério da Administração do Território (MAT) e dois helicópteros da Polícia Nacional a uma delegação multissectorial de 16 elementos, para esta se deslocar à localidade da Jamba e poder averiguar os factos relacionados com a morte do caçador furtivo e realizar as exéquias fúnebres do malogrado.
A delegação, que foi chefiada pelo segundo comandante provincial da Polícia Nacional, subcomissário Augusto Resende, integrou ainda efectivos da Investigação Criminal, Forças Armadas Angolanas (FAA), Bombeiros, Saúde e da Procuradoria-Geral da República junto da Direcção Provincial da Investigação Criminal (DIPC).
O procurador da DIPC, Filipe Mbuta, disse que “a morte do suposto cidadão zambiano em território angolano não se tratou de uma acção intencional, mas sim causal”, garantindo que as autoridades angolanas e zambianas vão contactar-se através dos ministérios das Relações Exteriores dos dois países.

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