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Campanha de vacinação decorre em várias escolas

Lourenço Bule | Menongue

Um total de 139.500 alunos do ensino primário, I e II ciclo, dos cinco aos 15 anos de idade, dos municípios de Menongue, Cuito Cuana-vale, Cuchi, Cuangar, Calai e Nancova, na província do Cuando Cubango, estão a ser desparasitados desde segunda-feira, no âmbito do combate às doenças tropicais negligenciadas.

Estudante do ensino primário é vacinado contra várias doenças tropicais que assolam a província
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro

O director provincial da Saúde, Lucas Macai, ao intervir na abertura da campa-nha de desparasitação, que decorrerá até ao próximo dia 24 do corrente, disse que a instituição que tutela conta, neste processo, com o apoio das organizações não-governamentais The End Fund, Mentor Initiative e Dubai Cares.
Lucas Macai informou que os alunos abrangidos no processo serão administrados com Albendazol e Praziquantel “para se evitar a transmissão de doenças tropicais”, visto que a  contaminação é feita por meio de fontes de água com excrementos que contêm ovos de parasitas, sobretudo nas zonas rurais desprovidas de higiene. 
“As causas destas doenças estão  associadas à utilização da água do rio e lagos, por serem locais usados por muitas pessoas para tomarem banho  e lavarem utensílios diversos”, disse, para acrescentar que, “apesar do apelo das autoridades sanitárias para que se observem as medidas de higiene, muitos populares ignoram”.
Lucas Macai acrescentou que é necessário o envolvimento de todos, particularmente dos professores, en-
carregados de educação, autoridades tradicionais e eclesiásticas, “para a erradicação da doença na província”. Lucas Macai frisou que a desparasitação escolar constitui uma das prioridades do Executivo Angolano no combate às doenças tropicais negligenciadas, “visto que as mesmas se apresentam como ameaça para os jovens e crianças,  que são as camadas mais afectadas por estas enfermidades.
Por seu lado, o director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia  disse que a campanha de desparasitação tem também a finalidade de evitar a ausência de alunos às escolas por razões de doença. 
Miguel  Kazavube   salientou que a motivação e dedicação dos professores, profissionais da Saúde, encarregados de educação e autoridades tradicionais, será preponderante para o êxito da campanha  no seio das comunidades.
Miguel  Kazavube informou   que no presente ano lectivo foram matriculados 189 mil alunos no ensino primário, dos quais139 mil serão desparasitados.
 
Hospital municipal
O hospital municipal de Me-nongue necessita urgentemente de obras de reabilitação, devido ao estado avançado de degradação em que se encontra, disse ao Jornal de Angola a administradora da  unidade sanitária.
“O hospital tem inúmeras fissuras nas paredes e no tecto, locais por onde penetra  muita águas quando chove”, disse Débora  Baptista, para adiantar que, “no tempo chuvoso os corredores ficam completamente inundados, provocando vários embaraços ao atendimento dos pacientes e a actividade dos funcionários”.
 Débora Baptista explicou que nesta época de chuva tem de se fazer “tripa coração”para se acomodar os doentes internados, senão ficam expostos às  cargas de água.
As áreas da pediatria e da maternidade, disse a administradora, não conseguem dar resposta aos  pacientes, por serem exíguas e ter poucos técnicos capacitados.
Com capacidade para 70 camas, o hospital tem apenas 12 médicos, entre eles dez angolanos de clínica geral, um cirurgião  de nacionalidade coreana, e um estomatologista cubano, bem como 80 enfermeiros. Débora Baptista disse que a instituição se debate  com  falta de medicamentos, recursos humanos, meios de transporte e equipamentos hospitalares, como raio X, lâmpadas, aparelhos de anestesia, marquesas para partos, e aparelhos para electrocardiogramas.
 Salientou que apesar das dificuldades, a instituição funciona com áreas da maternidade, pediatria, pequena cirurgia, hemoterapia e uma morgue. “Apesar das dificuldades o hospital de Menongue está a corresponder em termos de assistência médica  e medicamentosa.
“Diariamente atendemos mais de 100 pacientes, e  quase todos apresentam-se com malária, diarreias, doenças respiratórias agudas, anemia e má-nutrição.

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