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Camponeses querem incentivos para aumentar a produção

Carlos Paulino | Cuito Cuanavale

As associações de camponeses do município do Cuito Cuanavale, a 189 quilómetros da cidade de Menongue, Kuando-Kubango, precisam de crédito bancário para aumentarem os níveis de produção com vista à redução da pobreza.

Agricultores garantem que com mais incentivos podem transformar o Cuito Cuanavale no principal celeiro da província
Fotografia: Nicolau Vasco

As associações de camponeses do município do Cuito Cuanavale, a 189 quilómetros da cidade de Menongue, Kuando-Kubango, precisam de crédito bancário para aumentarem os níveis de produção com vista à redução da pobreza.
O camponês António Jonas disse à nossa reportagem que na região há falta de tractores e alfaias, charruas para tracção animal, sementes e fertilizantes. “Caso não haja uma intervenção imediata a campanha agrícola pode ficar comprometida”, disse.
O município do Cuito Cuanavale, dividido em três comunas, Longa, Baixo Longa e Lupiri, tem um enorme  potencial no cultivo de arroz, batata, milho, massambala e mandioca.
A comuna do Longa, um dos maiores celeiros da província do Kuando-Kubango, deixou de produzir arroz há mais de 30 anos. A guerra provocou a fuga dos camponeses. Mas agora os agricultores regressaram e querem arregaçar as mangas, para recuperarem o tempo perdido.
Uma forma de aumentar as áreas de cultivo é a obtenção de crédito bancário, mas até agora todas as tentativas junto dos bancos que operam na província foram frustradas. O administrador do Cuito Cuanavale, Joaquim Bango Catema, disse mesmo sem crédito e com poucos meios em equipamentos, foram preparados 470 hectares para a campanha agrícola 2010/2011. Os terrenos estão distribuídos por 14 associações de camponeses. 
“É uma pena esta situação que os nossos camponeses estão viver, porque têm vontade de trabalhar e aumentar a produção, mas por falta de crédito e equipamentos não estão a conseguir fazer um trabalho eficaz”, lamentou.
Apesar da situação, Joaquim Bango Catema está optimista. “Melhores dias virão. Os camponeses devem ter paciência e continuar a trabalhar”.

Falta um hospital

O administrador do Cuito Cuanavale disse que o município necessita, urgentemente, de um hospital para atender condignamente a população, tendo em conta que apenas existe um centro médico com 40 camas, insuficiente uma população de 94.813 pessoas.
Face a esta situação, no âmbito do Fundo de Gestão Municipal, este ano o município construiu um posto médico, que está localizado na comuna do Lupiri. Está em construção outro no Baixo Longa. 
Joaquim Bango Catema salientou que o centro médico atende, diariamente, mais de 70 pacientes adultos e crianças.
O serviço é assegurado por quatro médicos. Uma outra situação que tem tirado o sono ao administrador municipal, é a falta de medicamentos e materiais gastáveis. “Os medicamentos e materiais gastáveis que recebemos mensalmente são insuficientes, tendo em conta os pacientes que diariamente acorrem às nossas unidades de saúde em busca de assistência médica e medicamentosa”, frisou o administrador.
Joaquim Catema sublinhou que na época das chuvas surgem mais casos de mortalidade materno-infantil devido à multiplicação dos mosquitos transmissores do paludismo, que têm nas mulheres grávidas e crianças as suas maiores vítimas.
O sector da educação no município também regista insuficiências. O Cuito Cuanavale precisa de um núcleo do ensino superior, para que os jovens continuem os seus estudos após a conclusão do ensino médio.
Precisa, igualmente, de uma escola do segundo ciclo do ensino secundário.
O administrador municipal referiu que, por falta de uma escola do segundo ciclo do ensino secundário, os alunos que estão neste nível estudam no período nocturno nas escolas do primeiro ciclo. Acrescentou que no município faltam escolas do ensino primário para integrar as 3.000 crianças que se encontram fora do sistema de ensino e acabar com a situação de alunos que estudam debaixo das árvores.
O Cuito Cuanavale actualmente conta com oito escolas e 320 professores, números insuficientes para responder às necessidades da população estudantil. Na estimativa do administrador, o município precisa de mais dez escolas.
Neste momento está em curso a construção de duas escolas na sede municipal, uma de seis salas e outra de quatro, e casas para os professores.

Faltam  barcos para pesca fluvial

A reportagem do Jornal de Angola falou com pescadores, que lamentaram o facto da sua actividade estar limitada pela falta de meios, face ao enorme potencial dos rios, em que o peixe abunda. Os pescadores pedem barcos a motor e apetrechos de pesca.
“As associações de pescadores precisam de mais apoio. A par da agricultura o sector das pescas é uma aposta para dar resposta ao combate à fome e reduzir a pobreza na região”, disse o pescador João Ndala.    
João Ndala realçou que no município do Cuito Cuanavale a maioria dos pescadores  trabalha com canoas tradicionais, a remos. Todos correm o risco de serem atacados pelos jacarés.

Presos querem formação

Os reclusos da unidade penitenciária do Cuito Cuanavale clamam pela instalação, na cadeia, de um pavilhão de artes e ofícios, para que no final do cumprimento da pena possam sair com uma profissão.  
Pedem igualmente um gerador de electricidade e televisores para saberem o que se passa em Angola e no resto do Mundo.
A unidade penitenciária do Cuito Cuanavale esteve durante vários anos encerrada, devido ao avançado estado de degradação das suas estruturas. Está neste momento a beneficiar de um trabalho de reabilitação e modernização.
A unidade penitenciária  tem 27 reclusos, que foram transferidos da cadeia da cidade de Menongue, que tem problemas de superlotação.   

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