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Centenas de alunos passaram a ter uma escola nova

Carlos Paulino | Menongue

Adeus às aulas nas igrejas e debaixo das árvores! Mais de 1.200 alunos que estudavam nestas condições na província do Kuando-Kubango, assistiram à inauguração de uma escola do ensino primário e do primeiro ciclo, com dez salas devidamente apetrechadas, no Bairro Paz, arredores da cidade Menongue.

Governador Eusébio de Brito realçou que a melhoria do ensino passa pela construção de mais escolas e de professores competentes
Fotografia: Carlos Paulino | Menongue

Adeus às aulas nas igrejas e debaixo das árvores! Mais de 1.200 alunos que estudavam nestas condições na província do Kuando-Kubango, assistiram à inauguração de uma escola do ensino primário e do primeiro ciclo, com dez salas devidamente apetrechadas, no Bairro Paz, arredores da cidade Menongue.
A nova escola foi construída numa área de 1.266 metros quadrados e custou aos cofres do Estado mais de 97 milhões de kwanzas.
O corte da fita da Escola “17 de Setembro” coube ao governador da província do Kuando-Kubango, Eusébio de Brito Teixeira, no quadro das festividades dos dez anos de paz e reconciliação nacional.
Isaac Lucamba, em nome dos alunos, manifestou “grande regozijo pelo esforço empreendido pelo governo da província em cumprir com mais um dos direitos especiais das crianças, com a construção de uma escola condigna”.
O aluno da escola do Bairro da Paz disse ainda que ”este empreendimento representa o fim do nosso sofrimento e a esperança de um futuro melhor, uma vez que nas condições em que estudávamos não eram possíveis bons resultados”. No passado era tudo complicado, disse o estudante, mas admitiu que sempre esteve esperançado que a situação haveria de melhorar.
“Assumimos aqui o nosso compromisso de estudar para que no futuro possamos contribuir para o desenvolvimento socioeconómico da nossa província e para o melhoramento do processo de ensino e aprendizagem de qualidade na província”, referiu Isaac Lucamba.

As condições da paz

O governador da província, Eusébio de Brito Teixeira, realçou que para o melhoramento de um processo de ensino e aprendizagem de qualidade que se pretende na região passa pela construção de mais escolas e o ingresso de professores qualificados.
No quadro das festividades dos 10 anos de paz, o governo da província vai inaugurar, nos próximos dias, mais duas escolas na cidade de Menongue, sendo uma de 16 salas, do segundo ciclo do ensino secundário e outra de seis salas do ensino primário e do primeiro ciclo.
Eusébio de Brito Teixeira garantiu que o governo da província vai continuar a trabalhar para construir mais escolas, com vista a integrar as crianças que se encontram ainda fora do sistema de ensino na região, por falta de escolas e professores.
O governador do Kuando-Kubango sublinhou que os dez anos de paz efectiva que o país está a viver permitiram na província integrar 25 mil crianças que se encontravam fora do sistema de ensino e a estudar em péssimas condições. “Só com a paz é que conseguimos criar estas condições, construir mais escolas e outras infra-estruturas sociais, que visam melhorar substancialmente o bem-estar das populações, com destaque para as crianças que são o futuro da Nação”, frisou Eusébio de Brito Teixeira. Pediu aos alunos da Escola 17 de Setembro para conservarem bem os materiais e a não praticarem actos de vandalismo, porque só assim é que vão contribuir para que mais crianças possam beneficiar do ensino e aprendizagem de qualidade na província.

Mais alunos matriculados

O coordenador da comissão de gestão da Direcção Provincial da Educação, Ciência e Tecnologia, Miguel Kanhime “Kazavubo”, disse que no presente ano lectivo foram matriculados 195 mil alunos, fruto das 451 salas que foram construídas e reabilitadas graças aos dez anos de paz que o país está a viver.
Mas reconheceu que as 451 salas de aulas são insuficientes para integrar 57 mil crianças que continuam fora do sistema normal de ensino, razão pela qual é urgente construir mais escolas, principalmente no interior da província.
A situação das crianças fora do sistema de ensino, pode ser resolvida a partir do próximo ano lectivo, quando forem concluídas as obras de construção de 121 novas escolas nos nove municípios da província, no quadro do programa operativo que o Executivo traçou para a região. Neste momento, disse Miguel Kanhime “Kazavubo”, estão já em curso obras de construção de 31 novas escolas, inseridas nos programas municipais de desenvolvimento integrado de combate à pobreza, para integrar as turmas que estudam debaixo das árvores, igrejas e nos quartéis das Forças Armadas Angolanas (FAA).
No presente ano lectivo o Ministério da Educação enviou para o Kuando-Kubango 986 mil manuais da iniciação à sexta classe, 9.301 carteiras individuais e 1.350 duplas, 250 quadros pretos e 85 armários para arquivos de documentos, meios que já foram distribuídos a todas as escolas.
Sobre o problema de merenda escolar, Miguel Kanhime “Kazavubo” disse que este ano lectivo as coisas mudaram para melhor. O Executivo tomou medidas para que a merenda escolar possa abranger todas as crianças em idade escolar.
No ano passado, devido à escassez de recursos financeiros, o programa de merenda escolar abrangeu apenas  14. 400 alunos do ensino primário dos municípios de Menongue, Cuchi, Cuito Cuanavale, Mavinga, Nankova e Calai.

Laboratórios e bibliotecas

O coordenador da comissão de gestão da Direcção Provincial da Educação manifestou preocupação com a falta de bibliotecas e laboratórios nas escolas do segundo ciclo de ensino secundário, sectores indispensáveis para um bom desempenho dos alunos nas aulas práticas das disciplinas de Química, Biologia e Física.
A falta de espaços para a prática de educação física e desportos escolares é outro problema que o sector da Educação vive, porque a maior parte das escolas não têm espaços desportivos.
A Direcção Provincial da Educação enviou para Luanda nove estudantes para frequentarem um curso de formadores de educação física e brevemente estão de regresso, munidos de conhecimentos, mas sem espaços para a prática desportiva, lamentou.O melhoramento do sector da Educação na província passa pela acomodação condigna dos professores mas muitos recusam trabalhar nos municípios do interior da província devido à falta de residências e de subsídios de isolamento.
Melhorar o parque automóvel da Direcção Provincial da Educação, para facilitar o acompanhamento dos programas do sector e a supervisão do ensino em toda a região,  constituem desafios da instituição.

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