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Centro Ortopédico de Menongue suspende a produção de próteses

Lourenço Bule | Menongue

O Centro Ortopédico de Menongue, o único de referência na província do Cuando Cubango, está há mais de um ano sem produzir próteses e órteses por falta de energia eléctrica, situação que tem criado transtornos aos cidadãos com deficiência física.

Actualmente são feitos apenas trabalhos de colocação de gesso e sessões de fisioterapia
Fotografia: Lourenço Bule | Edições Novembro | Menongue

Segundo o director técnico do centro, Avelino Mahinga Filho, desde a sua abertura, há mais de 20 anos, a referida unidade sanitária nunca beneficiou de energia eléctrica da rede pública e sempre dependeu de um gerador de 100 KVA, que se encontra avariado há 14 meses.
Os cidadãos com deficiência física, acrescentou, enfrentam muitas dificuldades, por falta de produção de próteses e órteses, visto que as anteriores e as muletas canadianas precisam de ser substituídas. “Infelizmente o Centro Ortopédico de Menongue, por sinal o único de referência na província do Cuando Cubango, desde a sua inauguração, nunca beneficiou de energia eléctrica, situação que tem criado inúmeros transtornos para assegurar o seu normal funcionamento”, lamentou.
Avelino Mahinga Filho disse que, por falta de energia eléctrica para pôr em funcionamento os equipamentos de reabilitação na área de fisioterapia, os pacientes são submetidos apenas a tratamentos com mobilizações articulares, colocação de gesso e exercícios físicos, situação que tende a dar morosidade no que tange à recuperação dos mesmos. “Vários pacientes esperam desde o mês de Setembro do ano passado por próteses e órteses, para levarem uma vida normal”.
Garantiu que o centro possui actualmente várias quantidades de material para produção de próteses e órteses, mas por falta de energia eléctrica limita-se apenas a fazer pequenas reparações, segundo o grau de degradação do equipamento, bem como a efectuar trabalhos de fisioterapia.
Segundo Avelino Mahinga Filho, a par da falta de energia eléctrica, a instituição debate-se ainda com a falta de uma ambulância para o transporte de pacientes em estado grave, uma viatura para efectuar trabalhos de sensibilização nas áreas mais recônditas da sede municipal de Menongue e um gerador.
Acrescentou que outro problema registado é a falta de recursos humanos especializados, visto que o funcionamento da área de fisioterapia é assegurado por 11 técnicos, dos quais oito enfermeiros e três técnicos superiores.
A área de ortoprotesia, acrescentou, funciona com apenas quatro funcionários, dos quais um especialista e três técnicos médios.
Segundo o director técnico, para atender a demanda são necessários no mínimo 15 técnicos especializados na área de ortoprotesia e 22 na de fisioterapia.
Fez saber que a falta de técnicos no centro ortopédico de Menongue, que atende diariamente mais de 80 pacientes, é minimizada em certas ocasiões por finalistas do curso de fisioterapia do Instituto Médio Técnico de Saúde (IMTS), que trabalham como estagiários voluntários, para aprimorarem as suas técnicas.

Pacientes atendidos

Avelino Mahinga Filho explicou que, desde Janeiro, o centro ortopédico de Menongue prestou assistência a mais de 130 pacientes, dos zero aos 80 anos, que foram submetidos a tratamentos de fisioterapia e treinamento do uso de próteses e órteses.
Salientou que durante o período em referência foram efectuados, também, mais de três mil sessões de fisioterapia a pacientes provenientes de vários pontos do país, com problemas físicos relacionados com Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC), sequelas pós-traumatismo por acidente de viação, transtornos musculares, paralisia flácida e crianças com malformação congénita.
De acordo com o director técnico do centro ortopédico de Menongue é necessário a criação de programas que facilitem o diagnóstico da malformação congénita e garantir melhor qualidade de vida às pessoas que padecem com a enfermidade.
“É necessário ainda a realização de palestras e campanhas de sensibilização nas distintas unidades sanitárias da província e no seio das comunidades, para dar a conhecer aos populares as causas desta doença, que podem ser genéticas e/ou abuso de bebidas alcoólicas e drogas durante a gestação”, disse Avelino Filho.
Segundo Avelino Mahinga Filho, o centro, nos últimos tempos, tem vindo a conhecer melhorias significativas no tratamento e recuperação física de pessoas, vítimas de acidentes vasculares cerebrais, acidente de viação, malformação congénita, paralisia cerebral infantil, entre outros males.
Acrescentou que atendem em média 100 pessoas/dia acometidas por diversos tipos de lesões, provenientes de vários cantos do país, com destaque para as províncias de Luanda, Benguela, Huambo, Huíla e Bié.

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