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Centro Ortopédico com falta de meios

Lourenço Bule | Menongue

A falta de equipamentos de reabilitação física, de técnicos especializados e de meios de transporte estão a condicionar os serviços prestados pelo Centro Ortopédico de Menongue, no Cuando Cubango, afirmou o director da unidade hospitalar.

Falta de equipamentos de reabilitação física condiciona os serviços prestados pelo centro
Fotografia: Lourenço Bule | Menongue

Lourenço Jaime está preocupado com a actual situação na unidade sanitária, que considerou grave, por ver limitada a assistência dada aos deficientes físicos de guerra, vítimas de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e de viação.      
Por falta de equipamentos de reabilitação e de fisioterapia, os especialistas de saúde apenas prestam aos pacientes uma assistência de mobilização activa e passiva, e alguns exercícios físicos.
Apesar desta situação, disse que o Centro Ortopédico tem procurado dar resposta a alguns casos considerados menos graves e tem recebido pacientes provenientes dos municípios do Cuito Cuanavale, Cuchi e das províncias do Bié, Huíla, Huambo, Benguela e Luanda.
“Temos muitos pacientes nos municípios para dar assistência, mas estamos limitados por falta de transportes. Se houvesse uma boa colaboração entre as administrações municipais e a Direcção Provincial da Saúde, a situação era muito mais fácil de se resolver, mas, enquanto isso, vamos trabalhar em função da nossa disponibilidade”, lamentou.
No Cuando Cubango, o número de deficientes físicos de guerra é elevado, pelo facto de se tratar da região mais atingida pelo conflito e também que possui mais campos minados, disse Lourenço Jaime.

Assistência médica

O Centro Ortopédico de Menongue assistiu, desde o início do ano até ao passado dia 15, mais de 300 pacientes que foram submetidos a tratamentos de fisioterapia, treino do uso de próteses, luxações (deslocações articulares), entorses, artrites (doenças articulares), acidentes vasculares cerebrais e de viação.
Depois de ser ampliado passa a dispor de 54 camas para internamento (actualmente tem 26) e de dois consultórios médicos, uma farmácia, nove salas de internamento, de enfermagem, de reuniões, fisioterapia, três gabinetes e piscina. Também passa a ter uma oficina de próteses, lavandaria, cozinha, serviços de clínica geral, medicina interna, neurologia, psicologia clínica, mecanoterapia, electroterapia, estomatologia e dermatologia. O centro vai efectuar mais de 150 consultas por dia, quando actualmente faz 38.
O director do centro, Lourenço Jaime, explicou que a unidade sanitária produz vários tipos de próteses através de prescrição médica, sob medida e executadas por um técnico qualificado.
“Entregamos as próteses aos deficientes e mutilados de guerra gratuitamente, porque não dispõem de recursos financeiros para suportar esses encargos”, disse o responsável.
O centro dispõe ainda de um stock razoável de gesso em pó, fivelas, muletas e aparelhos para o alinhamento do fémur e da tíbia, material utilizado para o fabrico de próteses, adquiridos pelo Governo Provincial.

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