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Centro ortopédico paralisado por avaria do grupo gerador

Carlos Paulino | Menongue

O centro ortopédico de Menongue, o único a nível da província do Kuando-Kubango, encontra-se paralisado há mais de seis meses, devido a uma avaria registada no grupo gerador que fornece energia eléctrica àquela instituição.

O centro ortopédico de Menongue, o único a nível da província do Kuando-Kubango, encontra-se paralisado há mais de seis meses, devido a uma avaria registada no grupo gerador que fornece energia eléctrica àquela instituição.
O facto está a criar muitos constrangimentos aos pacientes, portadores de deficiências físicas, que precisam de ser reabilitados com próteses feitas naquela unidade pertencente à cooperativa “Mbêmbwa”, da congregação D. João Bosco.
A reportagem apurou ontem, no local, que o centro tem feito pequenas intervenções ao nível de reparações de muletas. É um trabalho que é assegurado por sete técnicos da área de ortoprotésia, dos quais três com formação superior, para que a instituição não pare totalmente as suas actividades.
“Face à situação, estamos a atender apenas alguns casos de pacientes que nos procuram, sobretudo para a reparação de muletas”, disse o chefe de departamento para a área de saúde do referido centro, Zeca Agostinho.
O responsável acrescentou que a reparação de próteses tem sido uma dor de cabeça neste momento, porque sem energia eléctrica é impossível trabalhar. O chefe de departamento para a área de saúde do referido centro afirmou que, a par da energia eléctrica, a falta de materiais para a fabricação de próteses e para muletas é outro problema que impede o pleno funcionamento da instituição.
Devido à avaria do grupo gerador, com capacidade de 75 KVA, o centro ortopédico encetou contactos com o Governo provincial e parceiros sociais, mas até agora não há qualquer solução.
“O pior de tudo é que muitos pacientes, que vêm à procura dos nossos serviços, voltam sem serem assistidos, situação que para nós constitui motivo de preocupação”, lamentou.
 
Muito trabalho perdido
 
José Marcelino Vicente, um dos técnicos da ortoprotésia, realçou que a situação que o centro atravessa, nos últimos dias, originou a perda de muitos trabalhos, uma vez que sem energia não se pode fazer nada.
Salientou que, em pleno funcionamento, o centro ortopédico fabrica, em média, mais de 400 próteses por ano, um número que varia em função do afluxo de pacientes.
O funcionário disse que todos os serviços prestados pelo centro são gratuitos, uma vez que é uma instituição de caridade, que além de prestar assistência aos deficientes, acolhe também crianças desamparadas.
Quanto à falta de material de fabrico de próteses e de muletas, José Vicente salientou que o centro atravessa outra grande dificuldade, pelo facto do armazém de stock estar totalmente vazio há mais de um ano, necessitando também de apoio.
“Neste momento, falta-nos gesso em pó, para fazer o enchimento dos moldes das próteses, fivelas, pés, entre outros materiais”, enumerou o funcionário, para quem as autoridades devem criar incentivos aos técnicos, que trabalham há muito tempo sem remuneração.
O Jornal de Angola constatou que a área da fisioterapia é a que menos dificuldade enfrenta, desde que o centro passou a viver a crise, visto que tem sabido corresponder com a demanda dos pacientes que acorrem diariamente ali em busca de assistência médica e medicamentosa.

 Bons  indicadores

O chefe da secção de fisioterapia, Armando Chavo, afirmou que são muitos os pacientes que procuram os serviços de terapia e, estes, são tratados com eficiência, incluindo as dezenas de crianças com problemas de enfermidade motriz cerebral, que necessitam de massagens por não conseguirem andar.
“Estes menores, por causa do atraso motor, ficam deficientes. Esta é uma das consequências desta doença de origem congénitas ou hereditárias”, salientou Armando Chavo. O técnico disse que as doenças congénitas podem ser causadas por uma mulher, que durante o tempo de gestação, tem problemas de malária ou doutro tipo de patologia não tratada devidamente. Por isso, as gestantes devem realizar todas as consultas pré natais.
“As consequências desta doença podem ser fatais para uma criança, sobretudo se apanhar os órgãos ou músculos respiratórios”, acentuou o técnico.
O fisioterapeuta assegurou que a área que dirige tem equipamentos que facilitam um bom tratamento dos pacientes. Actualmente, são muitas as pessoas que procuram aquele serviço, mas considera existir ainda pouco interesse por parte das pessoas em fazer fisioterapia.
Por isso, apelou para a necessidade dos órgãos de comunicação social divulgarem mais informações sobre o trabalho feito naquela instituição e sobre o serviço de fisioterapia, visto que a maioria da população não sabe que a província dispõe deste tipo de terapia.
Armando Chavo dá exemplos de pessoas que, por falta de informações, procuram este tipo de serviço na cidade de Luanda e na província do Huambo quando localmente este existe. “Se soubessem que aqui temos evitar-se-iam gastos elevados, desnecessários e tempo perdido”, salientou. Os casos mais frequentes naquela unidade sanitária, além dos relacionados com os amputados, são as paralisias, entre elas, a poliomielite, pé boto ou aleijado, assim casos de pacientes com acidente vascular cerebral (AVC), com maior incidência para as tromboses, originados por hipertensão, pessoas com sequelas de tuberculose. Face aos casos que recebe diariamente, o fisioterapeuta diz serem necessários mais equipamentos, com realce para aparelhos de massagens eléctricas, com vista ao engrandecimento do trabalho que ali é prestado e, consequentemente, melhorar a assistência aos pacientes.
Armando Chavo considerou de positivo o trabalho desenvolvido pela secção de fisiotepia do centro ortopédico de Menongue, no ano passado.
Neste período, a secção atendeu mais de 10 mil casos de fisioterapias, dos quais 75 por cento dos pacientes tiveram resultados satisfatórios.  O responsável fez saber que diariamente a unidade atende mais de 15 pessoas.

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