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Comunidades khoisan com dificuldades

Nicolau Vasco| Menongue

Pelo menos dois membros da comunidade khoisan morreram, na localidade de Jamba Cueio, a 110 quilómetros da cidade de Menongue, durante o mês de Setembro, vítimas de má nutrição, soube o Jornal de Angola junto do soba da localidade, Fernando Mampanda.

A situação alimentar da comunidade khoisan de Jamba Cueio piorou com o fim das doações do Programa Alimentar Mundial
Fotografia: JA

Pelo menos dois membros da comunidade khoisan morreram, na localidade de Jamba Cueio, a 110 quilómetros da cidade de Menongue, durante o mês de Setembro, vítimas de má nutrição, soube o Jornal de Angola junto do soba da localidade, Fernando Mampanda.
Dos mais de 100 membros da comunidade San reassentados ao redor da sede comunal de Jamba Cueio, em 2003, apenas o soba Fernando Mampanda, a sua esposa e dois filhos permanecem no local.
Fernando Mampanda disse que a situação alimentar da comunidade khoisan de Jamba Cueio se agravou com a cessação das doações, em 2006, do Programa Alimentar Mundial (PAM), o que levou ao regresso progressivo das famílias para as matas, tornando-as novamente nómadas.
O soba referiu que só permanece na localidade devido à condição de deficiente da sua esposa e dos seus filhos, de dois, seis e 13 anos, cuja sobrevivência depende da caça, recolha de frutos e pequenas ajudas dos camponeses locais.
“Alguns membros da sua comunidade antes de deixarem a localidade já tinham ganho uma certa experiência em lavrar a terra, mas a falta de inputs agrícolas criou desespero e voltaram para a recolecção de mel e de frutos silvestres nas matas”, sublinhou Fernando Mampanda, notando que as crianças tiveram que abandonar a escola.
Sobre a possibilidade de resgate das famílias khoisan, também conhecidas por kamussequeles - agora de novo nas matas - o soba disse ser viável, desde que, como sublinhou, “haja programas bem definidos que possam assegurar a sua auto-sustentabilidade”.
O administrador da comuna da Jamba Cueio, José Cambinda, disse ao Jornal de Angola que a situação foi comunicada em tempo oportuno à administração municipal de Menongue, mas durante muito tempo não se obteve resposta e os membros da comunidade San regressaram para as matas.

Oferta de ONG

Para aliviar a grave carência alimentar na comunidade khoisan da Jamba Cueio, a Organização Não- Governamental Missão de Beneficência Agropecuária do Kubango, Inclusão, Tecnologias e Ambiente (MBAKITA), levou há dias para aquela localidade um donativo composto de fuba de milho, óleo alimentar, açúcar, sabão, roupa usada e calçado. 
O director geral da MBAKITA, Pascoal Baptistiny, disse que a sua ONG está a desenvolver um projecto de apoio alimentar e de medicamentos para cerca de oito mil membros da comunidade San espalhados entre as províncias do Kuando-Kubango, Cunene e Huíla. O referido projecto, acrescentou Pascoal Baptistiny,  contempla igualmente as áreas da agricultura e  educação.
“Neste momento, a MBAKITA está a trabalhar no inventário do património histórico e cultural dos San, ao mesmo tempo que leva ajuda alimentar, num programa que conta com o financiamento da Fundação Open Society Initiative-Angola em parceria com as direcções provinciais da Cultura, Saúde, Agricultura e da Educação”, sublinhou Pascoal Baptistiny. O projecto tem como objectivo contribuir para a localização dos khoisan, tendo em vista a preservação dos seus valores e reintegração social. Na província do Kuando-Kubango, a MBAKITA está a trabalhar nas localidades de Jamba Cueio e Mbimbi (Menongue), Baixo Longa (Cuito Cuanavale), Luengue (Mavinga), Wefo (Rivungo), Calunda e Chissombo (Nankova), tradicionais áreas da vasta comunidade dos Khoisan.

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