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Conjunto de obras vai mudar Calai

Carlos Paulino | Calai

A administração municipal do Calai, por via do orçamento próprio e do governo da província, está a concretizar uma carteira de obras que, a breve trecho, vai melhorar a qualidade de vida da população e propiciar o desenvolvimento local.

Administrador Francisco Manjolo
Fotografia: Carlos Paulino

A administração municipal do Calai, por via do orçamento próprio e do governo da província, está a concretizar uma carteira de obras que, a breve trecho, vai melhorar a qualidade de vida da população e propiciar o desenvolvimento local.

O administrador municipal do Calai, Francisco Manjolo, disse estar convicto de que a construção de várias infra-estruturas no município, com realce para uma agência do Banco de Poupança e Crédito (BPC), que está a receber os retoques finais, vai dar um impulso significativo à vida económica e social do Calai e de outras localidades fronteiriças, como são os casos de Dirico e Mucusso.
Além da agência do BPC está em curso a construção de duas escolas, uma do segundo ciclo, com oito salas de aulas, e outra do ensino primário, com três salas e três residências para os quadros. Estão igualmente em construção os sistemas de captação, tratamento e distribuição de água potável das comunas de Mavengue e Mawé, no âmbito do programa Água para Todos.
Outras obras de impacto em curso são a edificação de 12 casas para os funcionários do BPC, a reabilitação da administração comunal do Mawé e a terraplanagem das vias secundárias e terciárias da vila do Calai. As duas últimas obras estão a ser custeadas pelo fundo de gestão municipal.
Independentemente da importância de cada um dos projectos em curso, o que satisfaz sobremaneira Francisco Manjolo é o iminente funcionamento do primeiro banco comercial na região. Segundo o administrador municipal, “o banco vai proporcionar um rápido desenvolvimento da vida do Calai”, ao contrário do que acontece até aqui, em que as transacções bancárias são feitas no Katuitui ou em Menongue, distantes, respectivamente, 200 e 500 quilómetros.
“Com a entrada em funcionamento do banco, as assimetrias entre o Calai e a localidade namibiana do Rundu, separados apenas pelo rio Kubango, serão rapidamente superadas, porque as pessoas poderão aderir ao micro-crédito e, a partir da Namíbia, adquirir mercadorias diversas para desenvolver a sua actividade sem grandes custos”, afirmou Francisco Manjolo.
A administração municipal do Calai elaborou um programa para apoiar as autoridades tradicionais com imputes agrícolas e embarcações de pesca. A intenção é fomentar a agricultura e a pesca, considerados sectores estratégicos para o desenvolvimento social e económico da municipalidade.
O nível de vida da população tende a melhorar gradualmente, com o surgimento de novos estabelecimentos comerciais. A oferta de artigos de consumo diversificou-se. Com isso, reduziu bastante o número de pessoas que diariamente fazem a travessia da fronteira com a vizinha República da Namíbia para a compra de bens de primeira necessidade.

Educação e saúde

As escolas do município, globalmente, têm matriculado, no presente ano lectivo, pouco mais de 3.500 alunos da iniciação até a décima classe. Deste número, cerca de três mil ainda estudam debaixo de árvores e em capelas. Num universo de aproximadamente 20 mil habitantes, o Calai tem ainda duas mil crianças fora do sistema normal de ensino e conta com apenas 45 professores. Estes números dão a dimensão do muito que ainda está por se fazer no sector da Educação.
Francisco Manjolo disse que para colmatar a situação, a administração municipal está a entabular contactos com o Governo provincial para que no Programa de Investimentos Públicos (PIP) do próximo ano o município seja contemplado com mais verbas para a construção de escolas.
Quanto à escassez de professores, afirmou que a repartição municipal de Educação tem abertas inscrições para o concurso público que dará acesso a mais quadros no sector. Segundo a nossa fonte, assim, “de uma vez por todas, vai se acabar com o fenómeno crianças fora do sistema normal de ensino”.
O sector da saúde também vive mil e um problemas. O município dispõe de apenas um centro de saúde que atende diariamente mais de 80 pacientes, geralmente acossados de paludismo, diarreia e doenças respiratórias agudas.
“O centro regista a falta de pessoal especializado, equipamentos e medicamentos. Essa situação só será ultrapassada quando for erguido o Hospital Municipal, que já está na forja. Aguardamos apenas pela disponibilização financeira. Actualmente, os doentes com complicações graves são evacuados para os hospitais da Namíbia”, revelou o administrador.
Informou que o município recebeu, recentemente, a visita de dois médicos cubanos do Programa Nacional de Combate à Malária, que poderão fixar-se no Calai. A Administração está a preparar duas residências para os acomodar.
 
Programa de habitação
 
No quadro do programa do Governo de construção de um milhão de fogos habitacionais até 2012, o município do Calai foi contemplado com 600 casas. Na visão do administrador municipal, “este número é suficiente para suprir as carências locais”.
Francisco Manjolo disse que para a concretização do programa o município criou uma reserva fundiária de 800 hectares. “Aguarda-se apenas pela recepção dos equipamentos de desminagem e limpeza, para posteriormente passarmos ao processo de loteamento e, tão logo as verbas estejam disponíveis, começarmos a execução das obras”, revelou.
O administrador municipal manifestou a convicção de que uma vez concretizado o grande projecto de construção de moradias, “o município do Calai vai contar com muitos quadros que vão contribuir para o seu desenvolvimento”.

Chuvas desalojam milhares
 
As fortes chuvas que se abatem sobre o município do Calai desde o passado mês de Dezembro desalojaram até agora mais de mil pessoas, fruto do desabamento de 35 residências. Provocaram a destruição de culturas ribeirinhas e o derrube de centenas de árvores.
O Governo da província do Kuando-Kubango, através da sua comissão de protecção civil, enviou ao Calai bens de primeira necessidade como arroz, óleo alimentar, sal, feijão, fuba e roupas usadas para as famílias afectadas. O lote de ajuda incluiu também chapas de zinco. “Aguardamos a chegada da comissão de protecção civil com mais chapas de zinco e para, no terreno, aconselharem sobre o melhor sítio para a acomodação das pessoas desalojadas pelas chuvas”, referiu Francisco Manjolo.

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