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Controlado surto de malária na localidade de Luassingua

Weza Pascoal | Cuito Cuanavale

As autoridades sanitárias da província do Cuando Cubango conseguiram controlar o surto epidémico de malária grave que assolou, de Janeiro a Junho do corrente ano, a aldeia do Luassingua, comuna do Longa, município do Cuito Cuanavale, que vitimou 30 pessoas, entre adultos e crianças, informou ontem, em Luassingua, o director municipal da Saúde.

População da região é aconselhada a procurar as unidades sanitárias mais próximas logo após os primeiros sintomas da doença
Fotografia: Weza Pascoal | Cuito Cuanavale

Pires Peti, em entrevista exclusiva ao “Jornal de Angola”, disse que se tratou de uma malária grave, que vitimou 25 crianças e cinco adultos. Os doentes queixavam-se de fortes dores de cabeça, febres altas e vómitos, entre outros sintomas.
Disse que, no final do mês passado, uma equipa médica se deslocou de Menongue à aldeia do Luassingua para prestar assistência médica e medicamentosa. Acrescentou que, depois de a equipa médica ter feito várias análises a muitos habitantes com sintomas da doença, se chegou à conclusão de que as mortes foram provocadas por malária grave.
De acordo Pires Peti, morreram mais crianças por estas serem mais vulneráveis às sintomatologias da malária, como febre, diarreia e vómitos, entre outras, que, quando não tratadas imediatamente, provocam baixa de hemoglobina. Pires Peti realçou que, depois das investigações, se constatou que o posto médico do referido bairro não recebia medicamentos  há algum tempo e a referida unidade sanitária encontrava-se encerrada pelo facto de os técnicos de enfermagem se terem ausentado do seu local de trabalho.
O director municipal da Saúde atribuiu a causa das mortes em Luassingua à falta de recursos humanos para assegurar a localidade.
Salientou que a administração municipal tem feito campanhas de sensibilização no sentido de a população aderir às unidades sanitárias mais próximas, mas “infelizmente, esta não é a realidade, porque muitos pais preferem aderir ao tratamento tradicional e, por este motivo, se registou um elevado número de mortes”.
Pires Peti disse que a comuna do Longa, com  dois enfermeiros angolanos licenciados e igual número de expatriados, dos quais um de nacionalidade cubana e um coreano, conta com um centro médico e sete postos de saúde, que não têm sido suficientes para atender à procura da população. Acrescentou que, para o pleno funcionamento do sector da Saúde no município, é necessário o recrutamento de dez médicos e de cerca de 40 técnicos de enfermagem.
Em termos de infra-estruturas, considerou necessária a entrada em funcionamento do hospital municipal, cujas obras de construção encontram-se paralisadas há cerca de dois anos, por causa da crise económica.

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