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Controlo do paludismo com acções reforçadas

Carlos Paulino | Menongue

Um total de 30 técnicos de saúde, que vão estar directamente ligados à um programa de controlo da malária ao longo dos municípios fronteiriços da província do Cuando Cubango com  a Namíbia, participam, desde segunda-feira,em Menongue, num seminário de capacitação sobre prevenção e combate da referida doença.

Autoridades sanitárias apostam na diminuição dos índices de mortalidade nas comunidades
Fotografia: Migueias Machangongo | Edições Novembro

A formação, promovida pela Organização Não Governamental “The Mentor Initiative”, está enquadrada no projecto Eliminação 8 (E-8), iniciativa regional entre oito países africanos,  África do Sul, Angola, Botswana, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia e Zimbabwe, cujo objectivo é a erradicação da malária.
O chefe de departamento provincial da Saúde Pública e Controlo de Endemias, Ntima Mandawele, disse que no Cuando Cubango foram seleccionados, no quadro do projecto E-8, os municípios do Cuangar, Calai, Dirico e Rivungo, que partilham uma fronteira terrestre e fluvial com a  Namíbia, de cerca de 900 quilómetros.
Ntima Mandawele disse que, além dos 30 técnicos de saúde que ganharam emprego directo para trabalharem neste projecto a cargo da ONG “The Mentor Initiative” e que será financiando pelo Fundo Global para o combate da sida, tuberculose e da malária, está também previsto o recrutamento indirecto de 500 cidadãos, sobretudo jovens. 
Ntima Mandawele sublinhou que constitui  elemento-chave da estratégia da E8 o melhoramento no acesso aos serviços de saúde, a identificação e gestão de casos de malária nas zonas fronteiriças, a testagem e tratamento adequado da doença, através da criação de novas unidades sanitárias de referência ou específicas, que serão financiadas pelo Fundo Global.
Ntima Mandawele garantiu que neste momento estão criadas todas as condições para o arranque, no próximo mês de Agosto, do projecto E-8, que tem a duração de implementação de um ano e que prevê também a instalação de quatro unidades sanitárias móveis nos municípios do Cuangar, Calai, Dirico e Rivungo, para alargar a cobertura dos serviços de saúde, a par dos centros e postos médicos fixos existentes.
Ntima Mandawele explicou que durante cinco dias os 30 participantes à formação vão ser munidos de conhecimentos sobre a situação epidemiológica da malária em Angola, na África e no mundo, prevenção do paludismo, pré-teste, triagem de doentes, Testes de Diagnósticos Rápidos (TDR), tratamento da malária simples, malária na mulher gestante e diagnóstico da malária complicada.
 Consta ainda dos temas o protocolo nacional do tratamento da malária, regras gerais de gestão de medicamentos e Testes de Diagnóstico Rápidos, recolha e registo de informação para a saúde,  prática de uso de Testes de Diagnóstico Rápidos na escola do segundo ciclo do ensino secundário Comandante Hoji ya Henda, pós-teste e trabalho em grupo sobre a elaboração de planos de trabalho mensais.      
 
Casos de malária

O chefe de departamento provincial da Saúde Pública e Controlo de Endemias disse que a instituição registou durante o primeiro semestre deste ano mais de 16 mil casos confirmados de malária, que resultaram em 123 óbitos. “Durante o ano de 2016 as autoridades sanitárias a nível da província do Cuando Cubango notificaram um total de 36 mil casos de malária, que causaram 203 mortes, sendo na sua maioria crianças dos zero aos cinco anos, mulheres grávidas e idosos.”
O director provincial da Saúde, Lucas Dala, disse que a cifra da malária em Angola e em particular na província do Cuando Cubango ainda é "alarmante", apesar de se registar uma redução considerável de mortalidade em comparação com os anos anteriores, onde se notificavam mais de 300 casos de óbitos anualmente.
“Daí a nossa aposta na prevenção da doença, para reduzirmos ainda mais ou até mesmo erradicarmos a malária a nível do nosso país”, disse Lucas Dala, para acrescentar que a malária é uma doença que pode ser prevenida, bastando que a população seja elucidada sobre as causas da doença.
“Em Angola a malária ainda está na fase de controlo, enquanto na Namíbia está na fase de eliminação”, disse Lucas Dala, para acrescentar que se está a  envidar esforços para se formarem mais técnicos de saúde.

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