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Cooperativa de pesca sem equipamentos

Weza Pascoal | Menongue

A cooperativa de pesca artesanal do Cuelei, necessita de barcos, redes, anzóis, bóias, equipamentos de conservação de peixe, entre outros utensílios, para permitir o desenvolvimento da sua actividade sem sobressaltos, anunciou o seu responsável.

Os pescadores da região necessitam de mais apoio para poderem aumentar os índices de captura de pescado no rio Cuelei
Fotografia: Carlos Paulino | Menongue

Pedro Domingos disse que os equipamentos que lhes foram entregues, em 2006, se encontram em estado obsoleto, sendo os barcos os únicos em condições, razão pela qual é necessário substituir os meios.
Como resultado da escassez de equipamentos, sobretudo de redes já remendadas várias vezes, a captura de peixe no Rio Cuelei diminuiu significativamente.
Outro problema apontado pelo pescador é a presença de um número considerável de hipopótamos nas zonas produtivas, o que põe em perigo a presença de pessoas. No mês passado, um membro da organização foi morto por hipopótamos, em pleno exercício da actividade pesqueira. “Agora, as pessoas têm medo de se fazer ao rio e, em consequência disso, o peixe, que é o principal alimento das comunidades locais e de Menongue, escasseia no mercado".
Pedro Domingos disse que os meses de Junho e Julho são os de maior captura, mas não se consegue pescar, porque os hipopótamos estão a dificultar o trabalho, porque ficam à beira do rio. Os riscos de ataques de elefantes e jacarés também inibem a entrada nas águas.
Pedro Domingos disse que antes se conseguia pescar no Rio Cuelei entre 50 a 60 peixes por dia, mas agora alguns pescadores preferem ficar horas em lagoas, onde conseguem apenas quatro ou cinco peixes para o sustento da família.
Esta situação, que se vive nas lagoas próximas ao Cuelei, deve-se às baixas temperaturas que se fazem sentir na região, daí que os peixes procurem refúgio no caudal principal do rio infestado de hipopótamos. O pescador recorda que, em tempos, as redes eram lançadas ao rio por volta das 7h00 e às 13h00, quando retiradas da água, tinham peixe suficiente para comercializar e para consumo familiar.  “Hoje, nem temos o produto para dar de comer aos filhos", lamenta.  No passado, conseguia-se muito dinheiro com a venda do peixe, sobretudo aos fins-de-semana, altura em que o produto era muito procurado. O responsável da cooperativa considerou que, para mudar este cenário, é necessária a intervenção urgente das entidades administrativas e provinciais, no sentido de serem encontrados mecanismos para controlar os hipopótamos e adquirir novos equipamentos, para dar outra dinâmica à pesca artesanal no Cuelei.

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