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Crianças andam de comboio sem companhia

Nicolau Vasco | Menongue

Responsáveis das direcções provinciais da Reinserção Social e do Instituto Nacional de Apoio à Criança (INAC) no Cuando Cubango estão preocupados com o crescente número de crianças que viajam de comboio até Menongue, a partir da Huíla, sem irem acompanhadas de familiares.

Menores contaram que apanharam o comboio na estação da Matala na expectativa de fazerem venda ambulante em Menongue
Fotografia: Nicolau Vasco | Menongue

A educadora de infância do centro Mbembwa, Rita Bimbi, disse terem recebido três crianças que se encontravam perdidas na estação de Menongue, depois de terem descido do comboio proveniente da Huíla e não estavam acompanhadas de qualquer familiar.
Trata-se dos pequenos Albino Tchioco, 13 anos, João Moico e João Tchiake, ambos com 12.
Os menores contam que embarcado na estação do município da Matala, na Huíla, na expectativa de fazerem venda ambulante nos mercados paralelos do Cuando Cubango, a convite do seu irmão, conhecido a­penas por Nando.
Rita Bimbi informou que o Ministério de Reinserção Social (Minars) e o INAC estão a desenvolver esforços para localizar o referido irmão e, para não os deixar ao relento foram encaminhados para o centro Mbembwa, que acolhe crianças desamparadas e em conflito com a lei. “Pensamos, antes de mais, esgotar todas as tentativas de localizar os familiares que residem na periferia do mercado municipal de Menongue. O Minars e o INAC vão mantendo contacto com as direcções congéneres da Huíla, para que estes adolescentes regressem ao convívio familiar", garantiu.
A directora provincial do INAC, Aida Rosalina, preocupada com a situação, pediu aos responsáveis do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes e às autoridades policiais para redobrarem a vigilância durante o embarque dos passageiros, nas diferentes estações, para prevenir casos de roubo de crianças, tráfico de menores ou exploração infantil. “Os responsáveis do Caminho-de-Ferro não podem permitir o embarque de menores sem que estejam na companhia de um adulto e muito bem identificado, porque se hoje foram encontrados esses adolescentes, não sabemos quantas mais crianças já entraram no Cuando Cubango e foram enviadas para outros pontos do país", realçou.
Para evitar futuras situações deste tipo, o INAC, em colaboração com o Governo, Minars e autoridades policiais, preparam a criação de uma comissão para trabalhar na identificação das crianças que vendem nos mercados paralelos e deambulam nas ruas de Menongue.

Melhores condições

O centro Mbembwa, fundado em 1987 pelo falecido padre João Bosco, acolhe actualmente 37 crianças desamparadas, órfãos e em conflito com a lei, aos quais o Governo presta uma atenção mais cuidada, nos domínios da educação, assistência médica e formação profissional.
Para melhor acomodação dos menores, o Governo Provincial contratou uma empresa de construção civil para realizar obras de restauro e ampliar o centro. O espaço vai passar a ter um campo multiusos, dormitórios para 150 camas, refeitório, posto de saúde, uma escola com 12 salas, zonas de lazer.

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