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Crianças continuam a morrer de malária

Cláudia Muhatili| Menongue

O hospital pediátrico de Menongue, na províuncia do  Kuando-Kubango, registou, entre Janeiro e Agosto deste ano, 308 mortes de crianças com malária, revelou ao Jornal de Angola a directora daquela unidade sanitária.

Muitas crianças chegam em estado crítico
Fotografia: Jornal de Angola

Elsa Kalenga esclareceu que, no mesmo período, o hospital a­tendeu mais de 15.300 pacientes com patologias diversas e as mortes por malária deveram-se ao facto de as crianças doentes terem chegado tarde de mais ao hospital, o que tem acontecido com demasiada frequência.
 “Muitas crianças chegam em estado crítico, por negligência dos pais, que preferem recorrer a tratamentos tradicionais como primeiro recurso, e só quando não encontram solução assim é que procuram os nossos serviços. Muitas vezes já não temos maneira de resolver”, lamentou.
A malária, a má nutrição, o sarampo, doenças respiratórias e diarreicas agudas são as patologias mais frequentes no hospital pediátrico de Menongue. 
Em relação ao número elevado de casos de malária, Elsa Kalenga salientou que, para resolver a situação, as autoridades sanitária da província têm realizado regularmente campanhas de esclarecimento da população, no sentido de a incentivar a usar o mosquiteiro impregnado com insecticida e a deitar o lixo nos locais apropriados, para se evitar a picada dos mosquitos, que são o principal vector da doença.

Má nutrição


O hospital pediátrico de Menongue registou, ainda, entre Janeiro e Agosto deste ano, 326 casos de má nutrição que resultou na morte de 30 crianças. A faixa etária mais atingida é a dos seis meses aos cinco anos.
A directora do hospital pediátrico disse que o Centro Nacional de Nutrição tem abastecido frequentemente a unidade sanitária com leite específico F-75 e F-100 para as crianças mal nutridas.
Elsa Kalenga aconselha as mães a amamentarem os seus bebés até aos dois anos porque o leite materno, além de conter muitas proteínas, ajuda ao crescimento saudável das crianças.
Uma outra preocupação levantada pela directora do hospital tem a ver com o número de médicos existentes no hospital, que considera insuficiente para dar resposta aos casos que se registam diariamente na unidade.
“Temos cinco médicos, sendo dois angolanos, duas cubanas e um russo. A estes juntam-se 66 enfermeiros. Neste momento, precisamos de mais médicos, enfermeiros, viaturas para trabalhos administrativos e, pelo menos, duas ambulâncias”, disse.

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