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Cruz Vermelha carece de verbas

Carlos Paulino| Menongue

A Cruz Vermelha de Angola (CVA), no Cuando Cubango, deixou de fornecer qualquer tipo de apoio de emergência às populações necessitadas, desde 2005, por falta de financiamento para suportar as despesas e subsídios com o seu pessoal, revelou ontem o seu responsável.

A última actividade de maior destaque que a CVA desenvolveu remonta ao ano de 2005
Fotografia: Ja Imagens

João Henda, em declarações ao Jornal de Angola, disse que, em função da falta de verbas, a representação da CVA não consegue realizar trabalhos de acompanhamento e apoio às populações vítimas de calamidades naturais, reunificação das famílias desencontradas, sensibilização das comunidades sobre o perigo de minas, combate ao VIH/Sida, malária, tuberculose e doação de sangue para os hospitais.
Explicou que durante o conflito armado, a Cruz Vermelha recebia trimestralmente do Banco Mundial um financiamento, que não revelou, com o qual apoiava as pessoas vulneráveis e estimulava os voluntários que prestassem serviço do Crescente Vermelho.
O responsável da Cruz Vermelha de Angola indicou que muitos doadores deixaram de apoiar as organizações filantrópicas do país, a partir de 2002, com a conquista da paz definitiva. “Consideraram que Angola está a registar um crescimento económico notável e acham que a responsabilidade de financiar projectos deve ser agora do Governo angolano”, lamenta.
João Henda solicitou apoio ao governo provincial do Cuando do Cubango e aos operadores económicos nacionais e estrangeiros, para que a CVA possa desenvolver os projectos destinados a suprir as principais necessidades das comunidades rurais.
O responsável recordou que a instituição vive apenas de doações financeiras, o que fica complicado que continue a exercer o seu papel, caso não hajam patrocínios para as referidas actividades, sobretudo no domínio da doação de sangue, formação de parteiras tradicionais, prevenção contra as minas e o HIV/Sida, malária e tuberculose.
Neste momento, disse que a CVA controla mais de 600 doadores de sangue voluntários, mas, devido à falta de verbas para a entrega de estímulos ou compra de alimentos, não tem como ter ao seu dispor os referidos elementos.
João Henda anunciou que se a sua instituição conseguir financiamento, vai voltar a desenvolver um projecto de formação de 30 técnicos de saúde sobre regras básicas sanitárias no município do Cuito Cuanavale, primeiros socorros em situação de catástrofes naturais e sinistralidade rodoviária, bem como campanhas sobre os riscos de minas e localização familiar para crianças desamparadas.
O responsável apontou também a falta de uma viatura como condicionante para a actividade da CVA, sobretudo para apoiar as populações que vivem nas áreas mais recônditas da província.
A última actividade de maior destaque que a CVA desenvolveu a nível do Cuando Cuando remonta ao ano de 2005, quando entregou às famílias vulneráveis cerca de 30 cabeças de gado bovino, 50 caprinos, 15 charruas e sementes de hortícolas, no âmbito do Programa de Combate à Fome e à Pobreza.
No mesmo ano, disse que foram distribuídas às vítimas das chuvas 1.800 chapas de zinco, 103 balões de roupa usada, utensílios de cozinha, pregos, martelos e outros materiais de construção.

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