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Cuando Cubango regista 220 casos de tuberculose

Weza Pascoal |Menongue

O sector da Saúde no Cuando Cubango registou, desde o início do ano, 220 casos de doentes com tuberculose em toda a província, 10 dos quais perderam a vida por falta de tratamento adequado, informou ao Jornal de Angola o supervisor do Programa Provincial de Combate a estas doenças, Domingos Tchihungi.

Hospital Sanatório de Menongue atende doentes de todos os municípios da província
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro

De acordo com o responsável, o Hospital Sanatório da província funciona num edifício improvisado, com capacidade apenas para internar 20 pacientes. “Devido a exiguidade do espaço muitos doentes com tuberculose estão a ser internados em outros hospitais e centros médicos da cidade de Menongue, outros preferem ficar em casa por falta de espaço nas unidades hospitalares”, disse.
“Muitos doentes com tuberculose”, revelou Domingos Tchihungi, “só recorrem ao hospital depois da doença estar em estado avançado, preferem antes ir ao curandeiro. A mesma postura têm adoptado alguns seropositivos, que sentem vergonha ou receio de manifestarem-se e quando chegam ao hospital já estão em fase terminal. Portanto, o mesmo não se regista com os que têm lepra”.
Segundo Domingos Tchihungi, os doentes com tuberculose controlados pela Saúde, nos nove municípios do Cuando Cubango, recebem tratamento nas unidades sanitárias, cujas idades mais afectadas variam entre os 25 aos 40 anos, e na maioria têm a doença associada ao VIH/Sida.
Durante o ano transacto, informou, foram registados mil e 412 casos de tuberculose pulmonar, dos quais 76 pessoas abandonaram o tratamento e outras 49 morreram. No mesmo ano, 600 pacientes deixaram de ter a doença. Em 2018, revelou ainda, foram notificados mil e 385 casos de tuberculose com um registo de 46 óbitos.
“Nesta altura, regista-se o aumento considerável de pessoas com tuberculose porque todas as unidades sanitárias da província estão orientadas a fazer o diagnóstico e o tratamento da doença”, disse.

Falta de medicamentos e causas da tuberculose

O coordenador do Programa de Combate à Lepra e a Tuberculose lamentou por a província ter “ pouca reserva de medicamentos”, para serem administrados na primeira fase de tratamento, tais como a rifampicina, isoniazida, pirazinamida e o etambutol. Para a segunda fase, as quantidades de fármacos “são razoáveis”, concretamente a isoniazida e rifampicina, “um composto administrado durante quatro meses”.
Domingos Tchihungi precisou que as principais causas da proliferação da tuberculose na província são o trabalho forçado, consumo excessivo de drogas e de bebidas alcoólicas, aliada a falta de uma dieta alimentar e o VIH/Sida. “O tratamento da tuberculose é gratuito em todas as unidades sanitárias do Governo, pelo que lamentamos por muitos pacientes serem abandonados por familiares por causa desta enfermidade”, sublinhou.
O responsável fez saber que a tuberculose pulmonar transmite-se, sobretudo, de pessoa à pessoa através do ar, pelas gotículas que expele ao tossir, falar e ao aspirar, e não se transmite pela partilha de alimentos, copos, talheres e roupas.
“Passa-se que muitos doentes”, esclareceu, “após notarem alguma melhoria durante o tratamento deixam de fazer a medicação e voltam a ingerir bebidas alcoólicas, com realce para as caseiras, efectuam trabalhos forçados e não cumprem rigorosamente com a dieta alimentar orientada pelos médicos”.
O Hospital Sanatório de Menongue, com capacidade para 20 camas , tem um corpo clínico composto por dois médicos, um angolano e outro coreano e 35 enfermeiros.

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