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Cuando Cubango necessita de médicos com urgência

Lourenço Bule | Menongue

A população dos municípios de Nancova e Rivungo, na província do Cuando Cubango, clama por médicos de clínica geral e especializados em pediatria, para fazerem frente aos casos de malária, doenças respiratórias e diarreicas agudas, febre tifóide, infecções de transmissão sexual, tuberculose e lepra, disse o director provincial da Saúde.

Muitos médicos encaminhados para o Cuando Cubango continuam ausentes da província por razões burocráticas
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro | Menongue

Lucas Macai disse que  em 2016 o Ministério da Saúde transferiu para Cuando Cubango 46 médicos de diferentes especialidades, mas apenas 23 apresentaram-se ao serviço de Saúde da província. Os  demais, por questões burocráticas, estão  a aguardar que o Tribunal de Contas aprove os seus processos.
Em declarações ao Jornal de Angola, Lucas Macai frisou que os municípios de Nancova e Rivungo são os únicos da província que ainda não dispõem de qualquer técnico médio ou superior de Saúde, pelo que os serviços de assistência médica são assegurados apenas por técnicos básicos.
O responsável da Saúde no Cuando Cubango  explicou que no município do Rivungo,  devido ao “estado deplorável” das vias de acesso, os pacientes mais graves veem-se obrigados a continuar o tratamento médico na Namíbia, com muito sacrifício, e os que não possuem recursos financeiros acabam por morrer. “Em Nancova a realidade não difere muito do município do Rivungo, mas este tem a particularidade de se situar a cerca de 250 quilómetros da cidade de Menongue e, no caso dos doentes em estado grave, a população recorre a carroças, puxadas por burros ou bois, para os transportar até ao hospital de Menongue, porque nem sempre a Administração Municipal tem gasóleo para a ambulância”, disse Lucas Macai.
Acrescentou que a rede sanitária do município do Rivungo é composta por 12 postos de saúde,   assegurados por 15 enfermeiros, para atender os mais de 30 mil habitantes da região.
Nancova possui três postos de saúde, um hospital municipal, com 70 camas, e um centro de Saúde, estando a assistência à população  assegurada  por 15 enfermeiros, para um universo de cerca de cinco mil habitantes.

Recursos humanos
O sector da Saúde no Cuando Cubango, segundo Lucas Ma-cai, é assegurado por 577 au-xiliares de enfermagem, 496  administrativos, 346 técnicos de enfermagem, 61 médicos de diversas especialidades, dos quais 18 expatriados de nacionalidade cubana, coreana e russa, bem como 43 especialistas de diagnóstico.
Os médicos estão distribuídos por apenas sete dos nove municípios da província, sendo 43 em Menongue, seis no município do Cuito Cuanavale, quatro no Cuchi, três no Calai, dois no Dirico, um no Cuangar e um em Mavinga.
Lucas Macai  disse que o órgão que dirige  “necessita de pelo menos mais mil funcionários, desde médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, técnicos de diagnóstico, pessoal administrativo e de apoio”.
Para o responsável o nú-mero reduzido de funcioná-rios no sector deve-se ao facto da província estar desde 2011 sem realizar um concurso pú-blico para o ingresso de novos médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico, terapeutas e pessoal administrativo.
A falta de recursos humanos, meios técnicos, recursos financeiros, ambulâncias e outro tipo de viaturas ,  constam  das principais dificuldades da Saúde na província, de acordo com o interlocutor do Jornal de Angola.
A formação e especialização dos profissionais  em toda  a província, segundo Lucas Macai,  figuram entre os principais desafios do sector.
 A rede sanitária da província do Cuando Cubango é composta por 110 unidades, das quais 82 postos de saúde, 19 centros de saúde, um hospital geral e quatro municipais. Em Menongue funciona também um hospital pediátrico e outro materno-infantil.

Medicamentos
O Ministério da Saúde, por intermédio do Centro  de  Compra e Aprovisionamento de Medicamentos e Meios Médicos, envia  fármacos para o Depósito Provincial de Medicamentos da província do Cuando Cubango, que são distribuídos pelos diferentes hospitais e postos médicos.
Lucas Macai disse que, além do processo de fornecimento de medicamentos aos nove municípios da província, as unidades sanitárias compram  fármacos, por meio da rubrica de bens e serviços que cada uma possui, mas  nos últimos tempos isso não tem sido possível devido ao elevado atraso das ordens de saque.
“Após a recepção dos fármacos, o depósito provincial de medicamentos faz a distribuição às unidades sanitárias dos nove municípios que compõem a província do Cuando Cubango, de acordo com a necessidade de cada um, mas em pequenas quantidades, situação que tem vindo a provocar  ruptura constante nos “stocks”, porque o movimento de pacientes é  grande” , disse Lucas Macai.
 “Apesar do apoio da CE-COMA” acrescentou, “ainda existe ruptura de fármacos, visto que não há um fornecedor oficial de medicamentos e os responsáveis das farmácias na região envidam grandes esforços para poderem adquiri-los em vários pontos do país e no terreno os preços são onerosos”, concluiu Lucas Macai.

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