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Cuando Cubango regista alta prevalência do VIH/Sida

Weza Pascoal| Menongue

A província do Cuando Cubango ocupa o segundo lugar da taxa de prevalência no país do VIH/Sida, com 5,6 por cento, atrás do Bié que tem 5,8, sendo a capital   Menongue a mais afectada, disse ao Jornal de Angola o chefe do Departamento Provincial de Saúde Pública e Controlo de Endemias local, William  Mandawele. 

Departamento de controlo de endemias diz que a adesão da população à campanha de testes é insignificante
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro

“Isso quer dizer que em cada 100 pessoas na província, cinco  convivem com o vírus do VIH/Sida”, admitiu o responsável, que informou  terem sido registados, de 2006 até o primeiro trimestre do corrente, 102 casos de óbito em consequência da aludida doença.
Durante o referido período, segundo William Mandawele, foram diagnosticados seis mil 631 casos positivos, dos quais três mil 887 em adultos e adolescentes,  dois mil 527 em mulheres grávidas e 217 em crianças menores, de zero aos cinco anos de idade.
“Estas cifras correspondem apenas aos dados recolhidos às pessoas que voluntariamente fizeram testes em hospitais”, avançou.
Depois de um inquérito realizado na capital da província,  o sector de Controlo de Endemias concluiu que apenas 0,1 por cento da população local faz sexo com preservativo, disse.  “ A maior parte dos habitantes do Cuando Cubango não aceita fazer teste voluntariamente. Portanto, a julgar pelas informações de bastidores, acreditamos que o número de pessoas infectadas é duas ou três vezes superior ao que temos registado”, disse.
A província do Cuando Cubango  tem 534 mil e dois  habitantes e, segundo  William Mandawele,  deste número, os que aderiram à campanha de testes voluntários sequer chegam a um terço. “Isso é preocupante  porque a província faz fronteira com a Zâmbia e a Namíbia, dois países com cifras altas de prevalência desta doença”,  alertou.
Para  o responsável, a falta de sigilo, por parte de alguns profissionais que trabalham em hospitais da província, tem inibido a adesão aos testes voluntários, “pois estes vazam informações sobre os pacientes diagnosticados com VIH/Sida e, como a sociedade estigmatiza as pessoas com esta doença,  daí o abandono massivo de muita gente ao tratamento.” />
Trabalhos de sensibilização
O Departamento Provincial da Saúde Pública e Controlo de Endemias implementou uma campanha de sensibilização sobre os métodos de prevenção do HIV/Sida porta-a-porta, denominado IEC-Informação, Educação e Comunicação.
A campanha que está a ser desencadeada em  bairros do município de Menongue já abrangeu  69 mil pessoas,  num universo de seis mil residências.  O programa prevê ainda a distribuição de preservativos e folhetos informativos sobre a doença.
“Queremos que toda a população saiba como se prevenir contra a doença através da abstinência sexual, fidelidade, o uso correcto do preservativo e a testagem obrigatória. Temos a certeza de que, se passarmos esta informação, os casos vão diminuir significativamente”, admitiu William Mandawele.
A nossa fonte informou que a província tem anti-retrovirais suficientes para atender os infectados sem quaisquer constrangimentos. “O único problema reside nas poucas quantidades de testes que já começam a escassear, mas a situação ainda não é preocupante”, assegurou.
William Mandawele  disse que todos os hospitais e centros médicos da província estão preparados para fazer o teste do VIH/Sida e a terapia da doença com o projecto de aconselhamento de testagem pelo provedor (ATIP), que está a substituir os centros de Aconselhamento de Testagem Voluntária (CATV).
“Apesar disso, ainda se regista uma fraca adesão dos jovens aos testes. A maior parte da população que faz testes são mulheres gestantes, por serem obrigadas durante a consulta pré-natal. Portanto. Continuamos a apelar, em particular aos jovens, para fazerem testes voluntariamente para saberem do seu estado serológico”, rematou William  Mandawele.

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