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Cuito Cuanavale forma marinheiros

Weza Pascoal | Cuito Cuanavale

Um grupo de 24 jovens, oriundos dos nove municípios da província do Kuando- Kubango, começaram terça-feira, no município do Cuito Cuanavale, um curso de marinheiros fluviais, que tem como objectivo fundamental formar operadores de pequenas e médias embarcações, para o transporte de passageiros e mercadorias.

O acto de lançamento oficial do curso realizou-se no sábado, na presença do director nacional adjunto para administração do Instituto Marinho e Portuário de Angola (IMPA),  Emanuel Nkofi, que na o­portunidade ressaltou a importância do curso na vida das comunidades que vivem ao longo dos rios Kubango, Cuito e Kuando, onde são criadas rotas para o transporte da população.
O curso tem a duração de 45 dias e é orientado por três especialistas do IMPA, que têm a responsabilidade de constituir tripulações eficientes e dotadas de instrumentos indispensáveis à navegação aquática, na circulação de pessoas e  bens.
O Kuando-Kubango possui enormes potencialidades neste domínio e os rios Kubango, Cuito e Kubango, que cruzam a província de norte a sul e a leste, constituem exemplo disso. Têm condições favoráveis para a navegação em qualquer período do ano, devido aos cursos muito caudalosos.
O Ministério dos Transportes adquiriu 36 embarcações de pequeno e médio porte, que estão concentradas na sede comunal de Cuangar, onde está em curso a construção de uma ponte-cais, para o desembarque e embarque de pessoas e mercadorias para vários destinos.
O rio Kubango é navegável a partir da comuna do Caiúndo, passando pelas comunidades de Ntopa, Mucundi, Nova Etapa, Mulemba, Mbala Tchavo, Tchatuika, Savate, Caíla, Catuitui até  Mucusso, passando por Calai e Dirico. Outra rota sai da vila do Cuito Cuanavale também até Mucusso, passando em Nankova, Dirico e por uma infinidade de comunidades ribeirinhas.
No município do Rivungo vai abrir-se um canal fluvial através do rio Kuando para ligar aquela localidade à de Shangombo (Zâmbia), onde, por falta de estradas para Menongue, a população procura adquirir bens de primeira necessidade, utilizando como meio de transporte pirogas de fabrico artesanal, que chegam a gastar cerca de seis horas num percurso de dez quilómetros, entre uma e outra margem.

Administração esperançada

José Feliciano Pinto Soares, administrador adjunto do município do Cuito Cuanavale para o sector económico, desejou boas vindas aos presentes e agradeceu à direcção dos Transportes, Telecomunicações e Tecnologias de Informação por ter escolhido o município para albergar o curso de formação de marinheiros fluviais.
A aposta na formação do homem constitui uma das grandes prioridades, no âmbito das políticas e programas do Governo Provincial de combate à fome e redução da pobreza no seio das comunidades, disse José Feliciano Soares. O administrador adjunto do município do Cuito Cuanavale mostrou-se esperançado quanto ao êxito da navegação fluvial no desenvolvimento económico e social do município, contribuindo de forma positiva na captação de receitas, tendo em conta a presença do grande projecto turístico transfronteiriço Okavango/Zambeze.

Circulação garantida

A directora provincial dos Transportes, Maria de Fátima Intumba Carlos, garantiu que o projecto de circulação fluvial no Kuando-Kubango atingiu níveis altos de execução, porque, além das embarcações, as obras de construção das pontes-cais nas diferentes comunidades e localidades decorrem a bom ritmo.
Este exercício do Executivo, a­crescentou, é mais um que vai marcar o início de uma nova era na vida das populações que vivem ao longo dos rios Kubango, Cuito e Kuando que, a partir do momento em que as embarcações começarem a circular, vão poder intensificar as trocas comerciais entre as comunidades do Cuito Cuanavale, Nancova, Caiundo, Cuangar, Calai, Dirico e com países vizinhos da Zâmbia e da Namíbia.
O aperfeiçoamento do transporte fluvial na província do Kuando-Kubango enquadra-se na estratégia de combate à pobreza, pois vai proporcionar oportunidades de emprego aos jovens, assim como o fomento do empreendedorismo no seio da população.

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