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Defendida inserção das línguas regionais

Carlos Paulino | Menongue

A inserção das línguas nacionais ou regionais nos currículos das instituições de ensino superior, com vista a sua promoção e contribuição para a compreensão do itinerário histórico e simbólico das populações, foi uma das recomendações saídas do quinto encontro sobre a problemática, decorrido em Menongue.

Especialistas solicitaram uma maior divulgação das línguas regionais e a sua inserção nas instituições do ensino superior
Fotografia: Lourenço Bule | Menongue

Os participantes ao encontro, que decorreu entre os dias 8 e 10 de Setembro, salientaram que, para a materialização da proposta, as direcções provinciais da Cultura e da Educação, em parceria com os institutos de Línguas Nacionais (ILN), de Investigação e Desenvolvimento da Educação (INIDE) e a Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto (FLUAN), devem fazer uma recolha da tradição oral a fim de produzirem textos didácticos.
Esta recolha, avançam os participantes ao quinto encontro sobre línguas nacionais, surge pelo facto de existir uma escassa ou mesmo pela inexistência de literatura nas instituições escolares e bibliotecas.
O encontro, no âmbito do segundo Festival Nacional da Cultura (FENACULT), teve como tema central “Harmonização ortográfica das línguas nacionais, diversidade na fala e unidade na escrita”, e contou com a participação de 170 delegados das 18 províncias do país, entre directores provinciais da Cultura, autoridades tradicionais, entidades religiosas, professores universitários, jornalistas, membros da comunidade khoisan e da Sociedade Bíblica de Angola.  Os participantes debateram, dentre outros temas, as línguas nacionais na toponímia, no ensino, na religião e na comunicação social e recomendaram ao Ministério da Cultura no sentido de remeter ao Conselho de Ministros a proposta apresentada pelo Instituto de Línguas Nacionais sobre a harmonização ortográfica das línguas bantu de Angola.
Outra recomendação prende-se com a necessidade de os topónimos de origem africana serem escritos de acordo com a grafia bantu, estabelecida pelo Alfabeto Fonético Internacional (AFI), ao contrário do que acontece actualmente nalguns meios de imprensa em que as palavras com “K” foram trocadas por “C”.
Defenderam ainda que as direcções provinciais da Cultura devem aprofundar os estudos investigativos sobre o mapeamento linguístico das suas regiões, com a supervisão do Instituto de Línguas Nacionais e a estabelecer uma parceira técnico-científica com as instituições nacionais e estrangeiras afins.
Os participantes recomendaram também ao ILN no sentido de incrementar a cooperação com os utilizadores das línguas nacionais, apoiar as publicações e a criação de prémios em línguas nacionais.  Os técnicos solicitaram igualmente à Televisão Pública de Angola (TPA) para o aumento de mais línguas nacionais na sua grelha de programação, bem como disponibilizarem mais tempo de emissão. Solicitaram igualmente aos governos provinciais para que coloquem placas identificativas, que dignifiquem as localidades, instituições, ruas e outros serviços em línguas nacionais e a criarem condições para a colocação das novas tecnologias de comunicação e informação ao serviço dos estudos sobre as línguas nacionais.

Valor na inserção

O vice-governador da província para o sector Político e Social, Pedro Camelo, salientou que o encontro permitiu encontrar as melhores formas de colocar o problema aos órgãos competentes, uma vez que as línguas nacionais representam um valor importante na inserção das populações na compreensão dos assuntos relacionadas com o desenvolvimento do país.
Disse que a harmonização ortográfica e revalorização das línguas nacionais, bem como o aprofundamento do conhecimento da realidade sociolinguística do país e das suas ricas tradições rurais, vão ajudar o Executivo a encontrar novos fundamentos para a elaboração da política linguística de Angola. O vice-governador realçou que a província do Cuando Cubango, neste gigantesco e complexo desafio, vem somando progressos assinaláveis no que tange à valorização e uso das línguas nacionais, através de acções concretas, sobretudo com a realização de seminários de formação e capacitação de professores e a participação de líderes comunitários de modo a facilitar a sua inserção nas escolas.

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