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Director da Saúde esclarece causas da destruição de medicamentos

Lourenço Manuel e Carlos Paulino | Menongue

A direcção provincial do Kuando-Kubango do Ministério da Saúde procedeu na sexta-feira, em Menongue, junto do governo da província, aos devidos esclarecimentos que estiveram na origem da destruição dos mais de 13 mil lotes diversos de medicamentos, material gastável e kits de parteiras tradicionais.

A direcção provincial do Kuando-Kubango do Ministério da Saúde procedeu na sexta-feira, em Menongue, junto do governo da província, aos devidos esclarecimentos que estiveram na origem da destruição dos mais de 13 mil lotes diversos de medicamentos, material gastável e kits de parteiras tradicionais.
 Durante um encontro orientado pelo vice-governador da província para a área social, José Maria dos Santos, director da Saúde, explicou que os fármacos queimados constam dos restos de um lote de 201.380 embalagens de soro ringer e 480 de sais de hidratação oral que a Direcção Nacional de Medicamentos e Equipamentos enviou para o Kuando-Kubango em grandes quantidades, em 2008, para fazer face ao surto de cólera que assolava a região naquela altura.
 Fernando Cassanga esclareceu que como as quantidades eram enormes e o surto de cólera foi debelado num curto espaço de tempo, “sobraram enormes quantidades que acabaram por perder o seu tempo de validade nos armazéns, pelo que fomos obrigados a queimá-los”. 
 Em relação aos 26 kits destinados às parteiras tradicionais, 216 mil unidades de seringas, 5.600 lâminas de sulfato de ferro de 200 miligramas, 380 lâminas de doxiciclina de 500 mg, 1.250 de Tiamina de 100 mgs, 1.590 de gluconato de clorehexidina, 780 frascos de cloreto de benzalconia, 74 bisnagas de pomada de cloreto de zinco, 430 frascos de albendazol e 48 frascos de água oxigenada, os mesmos foram queimados por engano porque o armazenista os misturou com as quantidades de soros ringer e sais de hidratação expirados. Sobre a falta de medicamentos no hospital central de Menongue, Fernando Cassanga minimizou a situação, alegando tratar-se de um problema que ocorre em qualquer unidade sanitária do país, onde podem acontecer casos da falta deste ou daquele fármaco. Disse ainda que o material em falta é de uso corrente, ou seja, os mais utilizados pela população, como é o caso dos soros, agulhas, antibióticos, seringas, anti-palúdicos, entre outros, e que geralmente recebemos em poucas quantidades.
 
Criada Comissão Técnica
 
Durante o encontro de esclarecimento, que foi orientado pelo vice-governador da província para área social, José Maria dos Santos, criou-se uma comissão técnica multi-sectorial, que doravante passa a fiscalizar o grau de funcionamento do hospital central de Menongue, bem como de outras unidades sanitárias da província e remeter em cada 15 dias do mês um relatório para o governo da província.
 A comissão técnica tem como coordenador o vice-governador da província para a área social, José Maria dos Santos Ferraz, e integra também um representante das Forças Armadas Angolanas (FAA), da Polícia Nacional e outro do gabinete de inspecção do governo.
No decorrer dos trabalhos ficou-se também a saber que a direcção provincial da Saúde vai criar em breve um gabinete de reclamações junto do hospital central, onde os pacientes terão o direito de apresentar queixa ou as suas preocupações, caso sejam mal atendidos.
 Além do vice-governador, José Maria dos Santos, participaram também no encontro o comandante da 5ª divisão das FAA, tenente general Valeriano, o 2º comandante da Polícia Nacional, Augusto Resende, o secretário do governo, Teixeira Clemente, e o delegado dos serviços de informação, Pascoal Mecânico. Recorde-se que, tal como noticiámos na nossa edição de ontem, durante a sua visita ao Hospital Central do Kuando-Kubango, o vice-ministro da Saúde, Carlos Masseca, garantiu que o seu Ministério vai analisar, com a Direcção Nacional de Medicamentos, em Luanda, o assunto dos 13 mil lotes de medicamentos que começaram a ser queimados no passado dia 25 de Maio.
 “Como os senhores jornalistas sabem e muito bem entendem, uma situação desta grandiosidade não se resolve em menos de 24 horas, por isso mesmo nós vamos a Luanda e vamos analisar com a Direcção Nacional de Medicamentos, entre outros sectores de nível central, e só depois, junto do governo do Kuando-Kubango, estaremos em condições de dar uma resposta conclusiva sobre este problema, nos próximos tempos”, afirmou na altura à imprensa.

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