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Dívida elevada de luz eléctrica

Lourenço Bule | Menongue

Mais de setenta por cento dos clientes da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE), no Cuando Cubango, contraíram uma dívida de 57 milhões de kwanzas, fruto do não pagamento do consumo de energia, há mais de seis anos, disse ontem, em Menongue, ao Jornal de Angola, o director provincial da firma. 

Equipas técnicas foram mobilizadas para garantir o fornecimento de energia na quadra festiva
Fotografia: Nicolau Vasco

Rui Paixão explicou que a maior parte da dívida foi contraída nos anos anteriores, ou seja, durante a vigência da extinta Empresa Nacional de Electricidade (ENE) e até à entrada em funcionamento da ENDE. Lembrou que no decurso deste ano, a situação se mantém, pelo que estão a ser envidados esforços junto dos clientes devedores para regularizem as suas dívidas até ao próximo ano. 
O director da ENDE reconheceu que é na cidade de Menongue onde reside o maior problema, no qual a empresa controla seis a dez clientes, mas que referiu, por falta de contadores pré-pagos, algumas instituições públicas e privadas e pessoas singulares furtam-se em pagar o consumo.
“Achamos ser uma atitude errada e que tem contribuído negativamente nos custos de manutenção das redes de média e baixa tensão. Queremos combater com este mal e esperamos que as pessoas colaboraram com a empresa”, lamentou Rui Paixão que explicou que os clientes com dívidas elevadas  têm a possibilidade de negociar com a empresa, pagando em prestações, ou seja, de acordo com as capacidades financeiras de cada um. No Cuíto Cuanavale, disse Rui Paixão, foi inaugurada recentemente uma central de 7.5 megawatts, e os municípios  Cuangar, Calai, Dirico e Mucusso recebem energia a partir da Namíbia, através de um contracto entre a “Nan Power” e o Ministério de Energia e Águas.
Nestas localidades não há qualquer tipo de problemas, porque as ligações domiciliárias estão equipadas com contadores do sistema pré-pago.
Em relação a Menongue, Rui Paixão explicou que os cerca de dez megawatts que recebe da “PRODEL”, entidade que superintende as centrais de produção de energia, não cobrem as necessidades da ENDE, razão pela qual algumas áreas da cidade e  bairros periféricos recebem energia eléctrica de modo faseado.
Para dar solução ao problema de energia eléctrica, a cidade de Menongue vai ganhar nos próximos tempos uma nova central termoeléctrica com capacidade para produzir 40 megawatts de energia, uma estação elevadora de 15 a 60 megawatts e redutora de 60 a 30 megawatts, incluindo duas linhas de 30 quilowatts.
“Pensamos que assim que forem criadas as condições, vamos garantir energia eléctrica a pouco mais de 80 mil clientes. Os serviços vão ser extensivo as comunas de Missombo, Caiúndo e Jamba Cueio e assegurar o funcionamento normal do Polo Industrial de Menongue (PIM), erguido no Tchipombo e Cuelei”, disse Rui Paixão.

Quadra festiva

Apesar das restrições que se tem registado nos últimos dias na cidade de Menongue, o director ENDE tranquilizou a população e garantiu que durante a quadra festiva foram mobilizados quatro equipas compostas que vão supervisionar o fornecimento de energia eléctrica à população 24 horas por dia.
Rui Paixão aconselhou os clientes para fazerem um consumo racional de energia, ligando as lâmpadas ou aparelhos de ar condicionados ali onde for necessário para que o produto possa abranger mais utilizadores.
Fez saber que a ENDE na região esta a levar a cabo uma campanha grátis de distribuição de lâmpadas económicas, em substituição das incandescentes, um projecto que se estenderá por toda a região.
Na província do Cuando Cubango, a ENDE está instalada nas localidades de Menongue, Cuangar, Calai, Dirico, Mucusso e agora no Cuito Cuanavale.
A empresa de electricidade conta com uma facturação mensal de 15 a 16 milhões de kwanzas e, deste valor, apenas 30 por cento dos clientes pagam regularmente as suas contas, sobretudo os utentes de contadores pré-pagos que são obrigados a obter recargas para terem acesso a energia.

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