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Ensino especial nos municípios

Carlos Paulino| Menongue

A partir do próximo ano lectivo, todos os municípios do Cuando Cubango vão ter implantado o ensino especial, anunciou na cidade de Menongue o director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia.

Mais crianças com necessidades educativas especiais vão ter a oportunidade de ingressar em escolas no Cuando Cubango
Fotografia: Carlos Paulino | Menongue

Miguel Kanhime anunciou o facto no termo do seminário provincial sobre o ensino especial, que decorreu entre os dias 18 e 29 de Agosto, em Menongue, e contou com a participação de 70 professores do Cuchi, Calai, Cuangar, Dirico, Rivungo, Nancova, Mavinga e Cuito Cuanavale, além dos do município sede.
Durante a acção formativa, os participantes foram munidos de conhecimentos sobre a língua gestual, uso do braille e o fundamento do ensino especial na perspectiva da educação inclusiva.
Os professores abordaram igualmente temas relacionados com o atendimento educacional especializado, as formas de lidar com um aluno com deficiências intelectual, auditiva e visual.
O director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia disse que a realização da acção formativa visou fundamentalmente preparar quadros capazes que possam contribuir para a implementação ou expansão do ensino especial em todos os municípios da província.
Fez saber que actualmente a província do Cuando Cubango conta apenas com duas escolas de ensino especial, todas confinadas na cidade de Menongue, tendo estas matriculado um total de 578 alunos, no presente ano lectivo.
Miguel Kanhime salientou que o êxito da expansão do ensino especial para todos os municípios da província necessita do apoio de toda a sociedade, uma vez que esta tarefa envolve muitos cuidados.
O director provincial da Educação salientou que um indivíduo portador de uma deficiência e que faça parte do processo de ensino especial merece também a educação que outras pessoas consideradas normais recebem, para que no futuro possa ser reintegrado na sociedade.
Por este facto, realçou que a instituição que dirige convidou nesta acção formativa três professores de cada município do interior da província, para que depois de formados possam fazer o levantamento nas suas localidades de todas as crianças, jovens e adultos com necessidades especiais, no sentido de, no próximo ano lectivo, estas pessoas serem inseridas no sistema educativo.
O vice-governador para o sector político e social, Pedro Camelo, defendeu a necessidade de se construir e reabilitar infra-estruturas básicas para o desenvolvimento da educação especial em Angola e, em particular, na província do Cuando Cubango.

Carácter transversal

Considerou que a educação especial é a modalidade de ensino com carácter transversal a todos os subsistemas educativos e tem a missão de atender todas as pessoas com necessidades especiais permanentes ou transitórias, no sentido de facilitar a sua reintegração escolar e social. Pedro Camelo sublinhou que, como consequência da política educativa herdada do colonialismo português e dos constrangimentos de ordem político-militar, económico e social que o país registou, desde a Independência Nacional até a conquista da paz, em 2002, ainda se conhecem atrasos significativos no domínio educativo em geral e do ensino especial, em particular.
Por esta razão, disse que urge a necessidade de se criarem condições de estabilidade macroeconómica para a implementação de uma sociedade inclusiva sem preconceito, discriminação ou estigmas.
Acrescentou que outra medida prende-se com a adopção de políticas educativas integradas e sustentáveis que, em primeira instância, contribuam para o desenvolvimento do capital humano visando o progresso.
Pedro Camelo recordou que constam dos objectivos plasmados no Plano Estratégico de Desenvolvimento da Educação Especial para o período 2007/2015 a redução e a eliminação do estigma e da discriminação para com as pessoas com deficiências.
Adiantou que o referido programa visa ainda o melhoramento e a consolidação do processo de integração das pessoas com necessidades educativas especiais permanentes ou transitórias, o aumento e a melhoria dos serviços de atendimento escolar da educação especial, domínio e o aperfeiçoamento da formação e capacitação dos quadros especializados na matéria.

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