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Fábricas de bloco obrigadas a melhorar condições laborais

Carlos Paulino | Menongue

Pelo menos, quatro das sete fábricas de blocos que operam em Menongue, província do Cuando Cubango, acataram as recomendações da Inspecção Geral do Trabalho (IGT) em relação a melhoria das condições de alimentação, higiene e dos equipamentos de protecção dos seus trabalhadores.

Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro | Cuando Cubango

O chefe dos serviços provinciais da IGT, Paulo Cambinda, disse, 28 dias depois de uma da comissão mustisectorial visitar sete fábricas de blocos, quatro das quais cumpriram parcialmente com as indicações baixadas, ao passo que as restantes três decidiram encerrar temporariamente os serviços por falta de verbas para satisfazer as exigências.

Paulo Cambinda agradeceu o “Jornal de Angola” por, no dia 28 de Janeiro, ter publicado uma reportagem sobre os maus tratos a que estavam submetidos os trabalhadores angolanos, “que deu azo a criação de uma comissão multisectorial”, integrada por efectivos da IGT, Inspecção da Saúde, Serviços de Migração e Estrangeiro (SME) e Investigação Criminal (SIC).
O responsável disse que, durante a visita inspectiva às unidades fabris, apenas a empresa Isapaul, mereceu uma multa de 850 mil kwanzas, devido a gravidade das irregularidades detectadas no local, enquanto as restantes ficaram pelas recomendações no sentido de melhorarem.
“Graças a denúncia feita pelo Jornal de Angola, hoje os funcionários das fábricas de blocos em Menongue já trabalham num ambiente mais seguro e higiénico com equipamentos de protecção individual para a prevenção de doenças profissionais, tais como uniformes, capacetes, luvas e máscaras para se evitar a inalação de poeiras e substâncias químicas”, realçou.
Paulo Cambinda informou que, outra a situação que “melhorou muito” é alimentação dos trabalhadores angolanos, “tendo em vista que anteriormente a dieta do almoço não passava diariamente de arroz ou funje com peixe sardinha sem óleo, cebola e tomate” que eram confeccionados em locais sem higiene.
“Hoje, ao visitarmos as fábricas de blocos notamos que a dieta alimentar dos trabalhadores melhorou significativamente, apesar de ainda faltar alguns ingredientes nutricionais, mas já existe variedade na comida, servida todos os dias num local improvisado do refeitório mas com condições higiénicas aceitáveis”, reconheceu.
O chefe da Inspecção Geral do Trabalho fez saber ainda que as quatro fábricas melhoraram também as condições das latrinas. “Agora os trabalhadores já utilizam os WC, antes estes locais não passavam de autênticas pocilgas, sem higiene e susceptíveis de transmitirem doenças”, frisou.
Questionado sobre o valor irrisório dos salários, Paulo Cambinda, disse que actualmente o mesmo varia de 700 a 1.300 kwanzas por dia, dependendo do trabalho que cada um exerce. “Os valores não são compatíveis com o salário mínimo nacional, mas devido as dificuldades que as empresas enfrentam para a comercialização de blocos, compreendemos que neste momento não têm como aumentar o ordenado dos trabalhadores”, admitiu, o responsável.
A IGT, garantiu, vai realizar visitas periódicas nestas unidades fabris, tão logo a situação das vendas dos blocos estiver estável, as empresas serão obrigadas a aumentar o salário dos trabalhadores, tendo em vista que a actividade que exercem é muito esforçada, pelo que não devem continuar a receber um salário diário de 700 ou 1.300 kwanzas.
“Por este facto, os responsáveis das fábricas foram notificados para resolverem imediatamente o problema da alimentação, atribuição gratuita de equipamentos de protecção e o melhoramento das cozinhas e casas de banhos, para que os funcionários possam trabalhar sem o risco de contraírem um acidente ou doenças profissionais”, revelou.
A equipa de reportagem do Jornal de Angola efectuou uma ronda nas fábricas de blocos e conversou com alguns trabalhadores tendo estes confirmado que as condições laborais e de alimentação são razoáveis, faltando a componente salarial, e mais diversidade na dieta alimentar, e mais botas para os trabalhos.
Isaías Francisco, operador de máquina na fábrica de bloco Ambriz Tabi, situada no bairro Calupassa, disse que, actualmente estão a ser os funcionários “estão ser valorizados”, pois antes trabalham sem uniformes e equipamentos de protecção. Quanto a alimentação disse que está a ser melhor confeccionada e as casas de banhos foram reparadas.
João Marcelino, funcionário da fábrica de bloco Hino Xiao Internacional, localizada no bairro 23 de Março, que “neste momento não há grandes razões queixas”, pois os maus-tratos que anteriormente verificava-se nas fábricas de blocos em Menongue diminuíram consideravelmente.

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