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Faltam morgues nas unidades sanitárias

Cláudia Muhati | Cuchi

A falta de morgues a nível das unidades sanitárias do Cuando Cubango é um dos principais problemas que o sector está a enfrentar, nos últimos tempos, em função dos transtornos causados ao funcionamento dos estabelecimentos clínicos e dos familiares dos cadáveres.

Falta de casas mortuárias nalgumas localidades da província leva com que os funerais sejam feitos às pressas quebrando regras tradicionais da região
Fotografia: Nicodemos Paulo

O chefe da repartição municipal da Saúde do Cuchi, Francisco Pedro Dala, avançou que esta situação está a obrigar que familiares enterrem os cadáveres no mesmo dia ou 24 horas depois de os pacientes serem declarados mortos, atropelando, assim, princípios tradicionais da região.
Ao falar por ocasião do 12º aniversário do Dia Internacional dos Enfermeiros, assinalado segunda-feira, o chefe da repartição municipal da Saúde no Cuchi disse que esta situação tem grandes repercussões, principalmente sobre as famílias sem recursos financeiras, uma vez que as economicamente mais estáveis costumam percorrer longas distâncias para conservarem os cadáveres na morgue do hospital central ou da pediatria de Menongue.
Francisco Pedro Dala apontou ainda a falta de técnicos qualificados de nível médio e superior, bem como de ambulâncias como outras dificuldades que as unidades sanitárias do interior da província enfrentam para garantirem uma melhor assistência médica e medicamentosa às populações.
Em função das referidas dificuldades, o chefe de repartição local disse que urge a necessidade do governo envidar esforços para inverter o mais rápido possível a situação, com vista a uma melhor prestação de serviço às populações que diariamente acorrem às unidades sanitárias em busca de assistência médica e medicamentosa.
Fez saber que o município do Cuchi conta actualmente com um hospital municipal, que possui uma farmácia, depósito de medicamentos, salas de internamento, serviços de pediatria e de maternidade, além de sete postos médicos.

Louvor aos enfermeiros

O vice-governador da província para o sector político e social, Pedro Camelo, sublinhou que os enfermeiros representam a grande maioria dos profissionais da saúde, considerando-os como fundamentais para o funcionamento integral do sistema. Referiu que os enfermeiros têm um papel cada vez mais activo na melhoria dos indicadores da saúde e do bem-estar das comunidades. Reconheceu que os profissionais de enfermagem têm exercido ainda a sua profissão em condições difíceis, chegando mesmo, às vezes, ao ponto de improvisarem soluções para atender as situações de saúde extrema. “Recorrem à sacrifícios pessoais e à criatividade, daí que devemos louvá-los e valorizar tais esforços”.
Pedro Camelo salientou que há um grande esforço visível do Executivo na reabilitação e construção de importantes infra-estruturas e no seu apetrechamento com equipamentos tecnológicos de última geração, para que os profissionais da saúde possam desenvolver as suas actividades.
Ao nível da formação, Pedro Camelo disse que o governo tem vindo a observar, nos últimos tempos, que a província regista uma evolução considerável, o que se reflecte em grande escala no atendimento aos pacientes, concluiu o responsável governamental.

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