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Famílias khoisan recebem apoio da França

Lourenço Bule | Menongue

As 50 famílias da comunidade khoisan, na comuna da Jamba Cueio, vão continuar a receber apoios da Embaixada de França em Angola, através do projecto “Alvorecer para o desenvolvimento rural”.

Projecto consiste em dotar os khoisan de técnicas para a produção de cereais de modo a melhorar a dieta alimentar
Fotografia: Lourenço Bule

O primeiro secretário da embaixada, Pierre Homerin, que garantiu o apoio, considerou positivo o incremento do projecto, no qual a instituição investiu cerca de quatro milhões de kwanzas.
Sob a égide da Missão de Beneficência Agropecuária do Kubango, Inclusão, Tecnologias e Ambiente (MBAKITA), o projecto consiste em dotar as comunidades khoisan de técnicas para a produção de cereais, tubérculos, hortícolas, reprodução de galinhas, suínos e caprinos, de modo a melhorar a dieta alimentar das referidas famílias e contribuir para que as mesmas abandonem o nomadismo.
A acção visa igualmente incentivar o diálogo entre os khoisan, muitos dos quais continuam a viver longe das cidades e vilas, para que as autoridades governamentais da província possam criar outras políticas de assistência a estas comunidades e reforçar as capacidades dos san.
Além das 50 famílias khoisan, disse o diplomata, o projecto abrange outras 300 na Jamba Cueio, que receberam 50 conjuntos de meios agrícolas, com os quais cobriram uma área de dez hectares de terras aráveis e produziram em ­quantidades satisfatórias  cebola, couve, cenoura, tomate, entre outros produtos.
Pierre Homerin salientou que a embaixada também tem a­poiado as comunidades com a aprendizagem de vários temas sobre educação comunitária e saúde, através de um conjunto de material de informação, educação e comunicação, que visa essencialmente transmitir às pessoas as formas de contaminação, prevenção e tratamento de doenças correntes.  Devido ao êxito da primeira fase do projecto, a embaixada vai trabalhar, em coordenação com o Governo e outras instituições do seu país, no sentido de ampliar o pacote de financiamento, para mais de 200 famílias.
 Com isto, a embaixada e parceiros pretendem dar a oportunidade a outros membros da comunidade khoisan, que também já começaram a dar sinais evidentes de abandonar a vida de nómada, para participarem na assistência técnica, agrícola, educação alimentar e nutricional. “Os investimentos têm como finalidade propiciar a formação sobre técnicas agrícolas e proteger a língua khoisan, com vista a reforçar as suas capacidades e obter o registo escrito da mesma, visto que se encontram distantes, tanto linguística como geograficamente das restantes comunidades”, disse o diplomata francês.

Boas práticas

O director-geral da MBAKITA, Pascoal Baptistiny, disse que a adopção de uma metodologia combinada, assistência técnica agrícola, distribuição directa de sementes agrícolas, permitiu o êxito do projecto “Alvorecer para o desenvolvimento rural”.
Foram também transmitidas informações educativas relativas à segurança alimentar e nutricional, higiene corporal e ambiental, produção de sementes, água e saúde pública.
Pascoal Baptistiny frisou que o programa estabeleceu parcerias com as direcções províncias da Agricultura, Assistência e Reinserção Social, Saúde e Educação, assim como com pessoas singulares, com vista a garantir a aplicação de um programa integrado em torno da assistência à comunidade.
Lamentou, contudo, o facto de, no decurso do desenvolvimento do referido projecto, terem sido identificados cinco casos de violação dos direitos humanos, sendo um relativo à alimentação e outros relacionados com a saúde, habitação, terra e direito ao registo civil.
A desinformação dos beneficiários no que tange aos seus direitos e deveres e a negligência por parte dos técnicos das instituições públicas são, do seu ponto de vista, considerados factores que dificultam a constatação e o encaminhamento para os órgãos da Justiça dos casos de violação dos direitos humanos.
A ONG acompanha mais de duas mil famílias khoisan espalhadas pelos nove municípios do Cuando Cubango e prevê incrementar, a partir do próximo mês, a apicultura junto das comunidades.

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