Províncias

Famílias mobilizadas para campanha agrícola

Lourenço Bule | Menongue

Milhares de hectares de terras aráveis foram cedidas pela Direcção Provincial da Agricultura do Cuando Cubango para as famílias camponesas abrangidas na campanha agrícola 2014/2015.  

Políticas de incentivo à agricultura familiar devem ter em conta as múltiplas necessidades dos pequenos produtores
Fotografia: Lourenço Bule | Menongue

Além da cedência da terra, mais de 150 mil hectares, a Direcção Provincial da Agricultura tem igualmente disponíveis mais de 500 charruas de tracção animal, 185 toneladas de adubo orgânico, 50 de fertilizantes diversos, centenas de catanas, enxadas, entre outros inputes que são utilizados para apoiar sobretudo a agricultura familiar.
O director provincial da Agricultura, engenheiro Manuel Alexandre, que falava durante o acto de abertura do presente ano agrícola, na localidade de Calindo, a 40 quilómetros da cidade de Menongue, disse que uma brigada da Empresa Nacional de Mecanização Agrícola está a trabalhar na preparação de outros 1.960 hectares de terra para, no quadro do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), serem distribuídos às associações e cooperativas agrícolas de Menongue, Cuangar, Cuchi e Cuito Cuanavale.
Para a presente campanha agrícola, disse, a Direcção Provincial da Agricultura perspectiva produzir 63.340 toneladas de cereais diversos, entre feijão macunde, mandioca, batata-doce, rena, inhame, abóbora e uma variedade de hortícolas, com vista a melhorar a renda e a dieta alimentar das famílias, como prevê o programa do Executivo de Combate à Pobreza. Durante o acto de abertura, os habitantes de Calindo e os membros de 85 associações de camponeses receberam, de forma simbólica, sementes de milho, batata-doce e rena, feijão manteiga, mandioca e fertilizantes em representação dos cerca de 64.974 agricultores da província que vão estar envolvidos na presente campanha agrícola.
O director provincial da Agricultura, Manuel Mateus Alexandre, garantiu estar ainda previsto para a presente campanha agrícola a plantação de arroz, numa área de 1.100 hectares, na fazenda agro-industrial do Longa, no município de Cuito Cuanavale, que vai produzir cinco mil toneladas. Manuel Mateus Alexandre disse que o Governo vai adquirir 10 mil bovinos para apoiar a agricultura nos municípios de Mavinga e Rivungo, onde, referiu, as dificuldades de acesso são maiores.
De igual modo vai reabilitar quatro tanques banheiro no Cuchi e Cuangar, além da construção de sete mangas de vacinação em Menongue, Cuangar e Calai. Prevê-se também a edificação de seis postos de controlo de doenças de origem animal ao longo da orla fronteiriça, entre o Cuando Cubango e a vizinha República da Namíbia.
O Governo vai ainda dirigir cursos de formação às famílias camponesas, que se vai basear na criação de bebedouros para o gado, reflorestamento das zonas devastadas de cada região, como aderir ao crédito agrícola, reforço das campanhas de vacinação e a promoção de iniciativas de agricultura empresarial de média e grande escala nas zonas fronteiriças e ao longo do rio Cuito.

Apoio aos camponeses

O vice-governador para o sector Técnico e Infra-estruturas do Cuando-Cubango, Joaquim Dumba Malichi, disse que o Governo está disponível e aberto para prestar todo o apoio aos camponeses e pediu maior desempenho das famílias na produção de alimentos, com vista a transformar a região num celeiro de referência no país e de forma gradual acabar com a dependência de outras regiões.
Joaquim Dumba Malichi disse que passados 12 anos desde a conquista da paz efectiva em Angola, a província do Cuando Cubango continua a verificar sinais visíveis de desenvolvimento, o que tem despertado o interesse de muitos empresários nacionais e estrangeiros em investir em vários sectores na região, sobretudo na agricultura em grande escala.
Para o governante, as políticas de incentivo à agricultura familiar devem tomar conta das múltiplas necessidades dos pequenos produtores, com vista a aumentarem as suas áreas de produção, melhorar a dieta alimentar das comunidades e acabar com os altos índices de má nutrição de que enfermam algumas pessoas.
“A promoção da agricultura familiar deve ser o papel central prestado à mulher rural”, disse, acrescentando que toda a população deve apoiar a participação activa da mulher e garantir a igualdade de direitos, no acesso aos incentivos agrícola. O acto foi marcado ainda com uma exposição de produtos do campo.

Tempo

Multimédia