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Finalistas recebem convite para o Cuando Cubango

Arão Martins | Lubango

O governador do Cuando Cubango, Higino Carneiro, convidou os primeiros médicos formados pela Faculdade de Medicina da Universidade Mandume ya Ndemufayo, na Huíla, para aproveitarem as oportunidades de enquadramento que existem naquela província.

Futuros médicos foram informados que o Governo já criou condições de alojamento e de transporte para os que aceitarem o convite
Fotografia: Arimateia Baptista

Higino Carneiro fez o convite num encontro com os médicos recém-formados e o governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge. Assegurou que o governo do Cuando Cubango já criou condições de alojamento, transporte individual e colectivo, e tem já seleccionados os hospitais para onde vão exercer a sua actividade.
A província do Cuando Cubango tem muitos problemas no sector da Saúde, onde ainda existem inúmeras necessidades, principalmente de médicos. Em todo o território apenas existem 50 clínicos.
Disse que, há mais de um ano e meio, o Governo Provincial está a construir inúmeras infra-estruturas no domínio da Saúde e a melhorar o funcionamento das já existentes.
Na província estão a ser construídos hospitais regionais, municipais, centros de saúde, alguns já inaugurados, mas sem um corpo clínico para assegurar a qualidade na prestação de serviços que se pretende para os pacientes.
O governador reiterou que as autoridades estão a desenvolver esforços para que o novo Hospital Provincial seja inaugurado ainda este ano, o que vai obrigar a recrutar mais médicos. Higino Carneiro salientou que o Governo do Cuando Cubango vai contar com 28 médicos que se encontram a terminar a formação em Cuba. Em relação a estes, disse que vão ficar mais um tempo para fazerem já a especialidade antes de regressarem ao país.
O governador do Cuando Cubango considerou a província como uma das mais atrasadas em termos de saúde, daí que no plano de desenvolvimento a prioridade recaiu sobre o capital humano, por ser das pessoas que depende o crescimento da região.
As autoridades desenvolvem grandes esforços para competir, crescer, ter uma economia pujante e diversificada e, sobretudo, que resolvam os anseios do povo. O Cuando Cubango é a segunda maior província de Angola, mas tem apenas 510 mil habitantes, na sua maioria concentrados na cidade de Menongue. Tem nove municípios e faz fronteira com a Zâmbia, numa extensão de quase mil quilómetros. “Por força da guerra, não foi possível desenvolver as infra-estruturas”, disse Higino Carneiro.

Rede de estradas

O governador do Cuando Cubango informou durante o encontro que as estradas estão a ser construídas e reconstruídas, com as pontes, mas, em muitos casos, recorre-se ainda aos meios aéreos para chegar aos pontos mais distantes da região. Higino Carneiro afirmou que a “área 16” do Cuando Cubango já se iguala à província da Huíla, onde actualmente existem boas estradas, sendo muitas novas.
“Este cenário ainda não vemos na fronteira Sul, com a Namíbia, onde ainda se recorre muito ao avião, pois por carro é muito cansativo, por causa do mau estado das vias”.
 No Cuando Cubango existe um programa especial, aprovado pelo Presidente da República, para desenvolver rapidamente a região, sobretudo na rede rodoviária, no sentido de alcançar a promoção económica e social que a província necessita. O reitor da Universidade Mandume Ya Ndemufayo, Abraão Mulangi, informou que a Faculdade de Medicina colocou, no último ano académico, 47 novos técnicos no mercado de trabalho.

Dezenas de médicos

Abraão Mulangi assegurou que, no final do ano académico, que começa em Março próximo, a instituição vai lançar no mercado de emprego mais outros 60 médicos.
Sobre a necessidade dos médicos recém-formados aceitarem o convite de Higino Carneiro, o governador da Huíla, Marcelino Tyipinge, alertou que o Cuando Cubango é uma província em crescimento: “Vivemos num país único e devemos participar no desenvolvimento de cada região”.
O governador da província da Huíla acrescentou que os médicos, como parte deste processo de desenvolvimento, não devem só olhar para a capital do país, Luanda, ou para a Huíla. “Devem estar prontos e dispostos a responder à chamada em qualquer parte de Angola”, aconselhou.
Marcelino Tyipinge reconhece que a província da Huíla tem ainda algumas necessidades, mas é preciso saber dividir os quadros para que as duas províncias sejam bem contempladas com médicos saídos da Universidade Mandume ya Ndemufayo.  A Universidade Mandume ya Ndemufayo está inserida na VI Região Académica, que integra as províncias da Huíla, Namibe, Cunene e Cuando Cubango.

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