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Governo reforça actuação do sector nos municípios

Lourenço Bule | Menongue

O Governo Provincial do Cuando Cubango está a desenvolver um amplo programa de expansão de água canalizada em toda a extensão daquela parcela do país, para que se diminua o índice de pessoas sem acesso ao produto tratado o mais rápido possível, assegurou ontem, em Menongue, o  vice-governador provincial para o Sector Político e Social.

Água das cacimbas tem cor e ferrugem por causa da urina das rãs e sapos bichos que se multiplicam nestes poços por falta de manutenção
Fotografia: Lourenço Bule|Edições Novembro-Cuando Cubango

Pedro Camelo disse que consta do programa o reforço da construção de novas centrais de captação, tratamento e distribuição de água potável, furos de água sustentados por chafarizes, para se evitar que a população faça uso de água imprópria.
Pedro Camelo falava durante a apresentação dos resultados de uma pesquisa científica realizada por estudantes finalistas do curso de Biologia da Universidade Cuito Cuanavale, que dá conta que cerca de 70 por cento da população dos bairros Bom Dia, Feira, Saúde, Pandera e Cavaco, arredores da cidade de Menongue, ainda continua sem água canalizada.
Apresentado pelo professor Edilberto Pozo Velasquez, monitor do trabalho dos estudantes, o estudo provou que a água utilizada para confeccionar os alimentos, higiene pessoal e outras actividades domésticas pelas comunidades destes bairros não reúne condições  para o consumo humano. A   água, refere o estudo dos universitários, apresenta várias bactérias nocivas ao homem provenientes, por causa do lixo e de fezes que a população deposita nas margens dos rios. Os resultados concluem que a maior parte das pessoas que vive nas margens dos rios Kwebe e Luahuca não tem o hábito de construir latrinas, defeca ao ar livre e deita o lixo em qualquer lugar. “Depois, as águas das chuvas arrastam todos os desperdícios para os respectivos rios, situação que tem contribuído para o aumento de doenças.”
Em relação à água das cacimbas, o estudo refere que o produto tem cor e ferrugem, por causa da urina das rãs e sapos, bichos que se multiplicam nestes poços por falta de manutenção e de higiene. A pesquisa permitiu igualmente saber que 73 por cento dos habitantes do Cuando Cubango consomem água a partir de cacimbas, outros 25 por cento tem água canalizada, enquanto dois porcento ainda retira o produto directamente dos rios.
O docente universitário disse que a elaboração do estudo é de capital importância, uma vez que vai permitir ao Governo Provincial saber ao pormenor sobre a qualidade da água utilizada pelos moradores das zonas periféricas, fazer investimentos no sector e traçar acções educativas para se evitar o alastramento de doenças provocadas pelo consumo de água imprópria. Edilberto Velasquez disse que, para o êxito deste estudo, foram efectuados ensaios físicos, químicos, microbiológicos e organolépticos em água tratada e não tratada de 650 residências dos bairros Bom Dia e Feira, onde 50 por cento dos poços analisados apresentam 30 por cento de coliformes e é muito turva. O docente mostrou-se preocupado com os resultados, por ter constatado que as pessoas inqueridas possuem poucos conhecimentos sobre a água que consomem e as possíveis consequências. “É necessário elaborar  um projecto de investigação participativa aos níveis correspondentes da direcção provincial da Educação, Ciência e Tecnologia, do departamento das Águas e Saneamento Básico e promover acções educativas que contribuam para a sensibilização das populações para consumirem água potável e evitarem contaminações.”
Os trabalhos de investigação foram elaborados pelos finalistas Emílio Cambinda, Conceição Diniz e Augusto Cicanho Júnior.

Vice-governador agradece

O vice-governador provincial Pedro Camelo felicitou o grupo de pesquisadores pelos resultados obtidos e pediu à reitoria da Universidade Cuito Cuanavale, no sentido de estender este tipo de trabalhos de investigação em outros campos sociais, para o bem da população.
“A abordagem do tema sobre a qualidade da água e acções necessárias para melhorar o seu consumo é de extrema importância, visto que, nos últimos tempos, tem-se verificado doenças estranhas, que se presumem serem provocadas pelo consumo de água não tratada”, disse Para Pedro Camelo, que adiantou que as universidades devem contribuir mais para o desenvolvimento de qualquer sociedade e, nesta senda, a apresentação deste trabalho de investigação vai ajudar o governo a encontrar soluções imediatas e a população a compreender melhor os riscos do consumo de água imprópria.

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