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Hospital com falta de médicos e enfermeiros

Weza Pascoal | Menongue

A directora do Hospital Pediátrico de Menongue, Elsa Calenga, defendeu, ontem naquela cidade, a necessidade de reforçar-se o quadro clínico, tendo em conta o elevado número de crianças que dão entrada naquela unidade sanitária, sobretudo nesta época de chuva que mais se registam várias ocorrências.   

Na época das chuvas o hospital pediátrico regista um aumento considerável de crianças doentes e muitas vezes tem pouca capacidade de resposta
Fotografia: Nicolau Vasco | Menongue

A responsável precisou que além do reforço do quadro clínico, também há toda a necessidade de potenciar-se o hospital com medicamentos, material gastável e de higiene, prevendo-se, como disse, o período difícil em que mais se registam ocorrências que muitas das vezes ultrapassam a capacidade da unidade sanitária.   
“Neste período, o hospital regista um aumento de crianças doentes e, muitas das vezes, não temos tido capacidade de resposta, o que é preocupante. As dez salas disponíveis para internamento, incluindo o corredor, ficam apinhados de pacientes e seus acompanhantes, o que é doloroso”, desabafou. 
Elsa Calenga disse que a chuva arrasta consigo múltiplos casos de paludismo, doenças diarreicas agudas, parasitoses e sarnas, entre outras infecções. Dada a exiguidade de espaço, o hospital pediátrico tem apenas capacidade para internar 76 crianças.
Recorrendo-se a um velho ditado de que quem não tem cão caça com gato, a directora da pediatria  explicou que com o aumento de camas de 76 para 106 foi possível aproveitar o espaço de corredor, que passou à sala de internamento, num hospital onde diariamente são atendidos em média 150 doentes para consulta, dos quais 30 acabam por ficar internados.
O quadro clínico do hospital  pediátrico é assegurado por três médicos, sendo dois angolanos e um de nacionalidade cubana, além de 36 enfermeiros, um número considerado insuficiente para das respostas às necessidades. Para colmatar o défice, é necessário o enquadramento de pelo menos 10 médicos e 90 enfermeiros. Com base nisso, a responsável da Saúde apelou às autoridades competentes no sentido de potenciar as dezenas de postos de saúde construídos nos bairros periféricos da cidade, colocando nestas unidades sanitárias médicos, enfermeiros e medicamentos suficientes, uma forma de desafogar as enchentes no Hospital Pediátrico de Menongue.
“É necessário que estes postos de saúde tenham, no mínimo, um médico para  diagnosticar os casos mais graves, porque os enfermeiros que lá trabalham quando se deparam com situações complicadas encaminham de imediato para a pediatria. Desta forma, fica difícil trabalhar e dar solução às várias patologias que dão entrada no hospital”, disse.  O Hospital Pediátrico de Menongue atendeu, de Janeiro a Outubro deste ano, 33.662 pacientes, sendo 19.­049 com problemas de malária, 5.340 com doenças respiratórias agudas, 4.043 com doenças diarreicas agudas e 1.558 de parasitoses.  Registaram-se ainda 312 de má nutrição, três de raiva e um caso de má-formação congénita, que resultou no internamento de 4.746 pacientes e na morte de 132 crianças.
A directora do hospital pediátrico, Elsa Calenga, disse que a maior parte dos  casos de má nutrição se devem ao desmame precoce a que muitos menores estão sujeitos,  enquanto outros estão relacionados com a fraca qualidade dos alimentos que comem.
Na pediatria, os doentes de malnutrição recebem um suplemento alimentar à base de leite e papas ricas em proteínas que facilitam a recuperação do paciente.
Por esta razão, Elsa Calenga aconselhou as mães a amamentarem os seus filhos até aos dois anos de idade e saber o tipo de alimentação a dar à criança. Acrescentando que nalguns casos, a má nutrição está  associada ao VIH-Sida, transmitido ao bebé durante a gravidez e que, eventualmente, a mãe não tenha feito o teste para o corte de transmissão vertical.
Outra situação que preocupa a directora do hospital pediátrico de Menongue está relacionado com o crescente assustador de crianças com mordeduras de cães, que, durante o primeiro semestre do ano, provocaram a morte de dois pacientes, porque, referiu, os seus progenitores compareceram no banco de urgência três dias depois das crianças terem sido atacadas por animais vadios.

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