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Hospital de Menongue sem serviços de cardiologia

Nicolau Vasco | Menongue

O Hospital Central de Menongue, na província do  Cuando Cubango, necessita pelo menos de um médico cardiologista, para atender as pessoas com problemas cardiovasculares que se dirigem diariamente à referida unidade sanitária.

Hospital Central vai contar com um novo bloco operatório com equipamentos modernos de padrão incluindo uma sala pós-operatória
Fotografia: Nicolau Vasco|Menongue

O director clínico do hospital, Jacinto Guedes, disse que a situação é bastante preocupante, tendo em vista que a instituição está a receber muitos casos de pacientes à procura de resolver problemas cardiovasculares, principalmente pessoas muito jovens, com idades a partir dos 18 anos de idade.
Sem avançar números de pacientes que o hospital recebe diariamente, o responsável referiu que a falta de médico da especialidade e de equipamentos, para fazer face ao tratamento preventivo, tem contribuído para o aumento de mortes, na sua maioria, de pessoas que aparecem já em estado crítico.
Por este facto, salientou Jacinto Guedes, muitos pacientes com a patologia têm procurado a assistência médica e medicamentosa nos hospitais das províncias do Huambo, Huíla, Benguela e, às vezes, na República da Namíbia.
“Precisamos urgentemente de um especialista em cardiologia, que se ocupe do diagnóstico e tratamento da doença silenciosa, que ataca o coração e outros órgãos do sistema circulatório”, defendeu o director clínico da unidade sanitária.
Jacinto Guedes referiu que a ida de um cardiologista pode facilitar em grande medida os pacientes com problemas do coração, por meio de consultas de rotina, com vista a diminuir os riscos da doença, por meio de palestras e outras acções preventivas.

Aumento de casos

O responsável salientou que, apesar do aumento de casos de pacientes com problemas cardiovasculares, é importante que se saiba que as causas podem ser evitadas, com recurso à prática de exercícios adequados, no sentido de impedir que o coração e os vasos sanguíneos sejam envolvidos pela gordura.
Frisou também que o hospital, para além de cardiologistas, necessita de mais 19 médicos e técnicos superiores, especializados em enfermagem, cirurgia, urologia, anestesia, estomatologia, oftalmologia, para fazer face à procura destes serviços.
O director clínico acrescentou ainda que o hospital precisa de oito técnicos de laboratório, quatro de radiologia e 20 outros de enfermagem de nível médio.
Realçou que actualmente o Hospital Central de Menongue, com mais de 100 camas de internamento, tem 18 médicos especializados nas áreas da cirurgia, ortopedia, medicina interna, anestesia, radiologia, farmácia, laboratório e ecografia, 12 dos quais de nacionalidade cubana, coreana e russa, auxiliados por cerca de 243 enfermeiros nacionais. Jacinto Guedes afirmou que o processo de reabilitação da referida unidade hospitalar, que se encontra a 70 por cento da sua execução, está a ser acompanhado pela instalação de novos equipamentos de última geração e surgimento de novas áreas sociais e clínicas, que não existiam.

Novo bloco operatório

Fruto dos esforços dos governos central, através do Ministério da Saúde, e provincial, está a ser reequipado com um novo bloco operatório, com equipamentos modernos de padrão universal, incluindo uma sala pós-operatória, para facilitar os serviços de cirurgia. Com a entrada de novos serviços, o director clínico referiu que os serviços de cirurgia deixam, assim, de ser feitos apenas nas províncias de Luanda, Huambo e Huíla, além da República da Namíbia.
Anunciou que a recente aquisição de equipamentos digitais de radiologia, como raio X, ecografia, ecocardiografia, microscópios, cadeias de frios modernos, está já a permitir um atendimento de melhor qualidade.
A par disso, a unidade dispõe ainda de serviços de lavandaria, refeitório e morgue, esta última que foi ampliada de seis para 16 gavetas.

Principais casos

Jacinto Guedes fez saber que diariamente o banco de urgência do Hospital Central de Menongue atende mais de 100 pacientes com diagnósticos de malária, doenças diarreicas e respiratórias agudas, infecções sexualmente transmissíveis, febre tifóide, tuberculose, diabetes, traumatismo por acidentes de viação, entre outras patologias.
O director clínico disse que a instituição está bastante preocupação com o aumento de casos de malária e de traumatismo por acidentes de viação, que têm liderado a lista de internamentos.
Outra situação tem a ver com a subida de registos de queimaduras graves do segundo grau, que, por falta de especialistas, a instituição tem sido incapaz de tratar, daí a parceria com o Hospital Regional do Huambo, que se apresenta com maior capacidade.

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