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Hospital precisa de medicamentos

Weza Pascoal | Menongue

A directora do Hospital Pediátrico de Menongue, Elsa Calenga, mostrou-se ontem seriamente preocupada com a falta de medicamentos, material gastável, médicos e de enfermeiros, para atender as cerca de 150 crianças que diariamente acorrem ao local.

Hospital com falta de camas para o internamento e a situação tem preocupado as autoridades
Fotografia: Miqueias Machangongo

“Os poucos fármacos que o hospital têm são administrados principalmente aos doentes internados. Os que se encontram em regime ambulatório recebem receitas para que os familiares possam adquirir os medicamentos em farmácias externas”, explicou.
Elsa Calenga disse que o hospital conta apenas com quatro médicos, dois de nacionalidade cubana e igual número de angolanos, e 36 enfermeiros, número insuficiente para responder à demanda. Ela explicou que são necessários, no mínimo, dez médicos e 90 enfermeiros.
“Por causa do número insuficiente de médicos e enfermeiros, muitas crianças chegam ao hospital às seis horas da manhã e muitas vezes só são atendidas às 12 ou 13 horas, principalmente em época chuvosa, em que registamos elevados casos de patologias como a malária e as doenças diarreicas e respiratórias agudas”, disse.
Neste momento, acrescentou, a unidade sanitária conta com 106 camas, mas na época das chuvas a capacidade de internamento chega a ser triplicada, razão pela qual neste período os pacientes são colocados nos corredores do hospital, cabendo aos familiares a responsabilidade de criarem as condições de acomodação. Durante o primeiro semestre do corrente ano, o banco de urgência do Hospital Pediátrico de Menongue atendeu 23.552 crianças com diversas patologias, das quais 102 morreram.
Do total de casos notificados, 15.075 foram de malária, 3.608 de doenças respiratórias agudas e 2.619 crianças internadas por apresentarem complicações abdominais graves, como resultado do consumo de água ou alimentos impróprios.  
Durante o ano de 2015, o hospital registou 23.215 casos de malária, 5.128 de doenças diarreicas agudas, 2.813 de respiratórias agudas, 2.256 de parasitas, 1.302 de gripe, 475 de pneumonia, 269 de schistosomíase, 194 de otite média, 174 de febre tifóide, 172 de conjuntivite, 165 de sarampo, 161 de anemia, 144 de varicela, 63 de infecção urinária, 37 de sarna e 16 casos de acidentes de viação.
Elsa Calenga disse que o hospital pediátrico da província também tem dificuldades na aquisição de leite específico para o tratamento da má nutrição.
“Neste momento, estão internadas apenas sete crianças, mas há épocas em que se registam mais de 20 internamentos e se a falta de medicamentos continuar o hospital não vai ter possibilidades para atender as crianças”, explicou.

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