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Hospital reforça cuidados de saúde

Weza Pascoal e Nicolau Vasco | Menongue

Das 4.838 crianças com malária internadas este ano no Hospital Pediátrico de Menongue, 387 morreram, disse ontem ao Jornal de Angola o director clínico daquela unidade sanitária. 

Muitos habitantes no município de Menongue recusam dar informações dos seus agregados familiares aos inquiridores e técnicos de saúde
Fotografia: Nicolau Vasco | Menongue

Mangama Olingue afirmou que a maioria das mortes foram de crianças que chegaram ao hospital “em estado crítico” e que a falta de um bloco operatório, ambulância e salas modernas para cuidados intensivos prejudicam o tratamento das que estão em pior estado.
O clínico disse que há crianças que morrem ao serem transportadas para o Hospital Geral, “o que podia ser evitado se houvesse serviços na pediatria”.
O Hospital Pediátrico de Menongue tem seis médicos e 67 enfermeiros “insuficientes para os mais de 150 doentes que chegam diariamente”, 70 dos quais em média ficam internados.
Mangama Olingue recordou que o hospital pediátrico foi construído para 47 doentes internados em dez salas, pelo que muitos têm de ficar nos corredores.

Indicadores de Saúde

Muitos habitantes no município de Menongue recusam-se a dar informações dos  agregados familiares aos inquiridores e técnicos de saúde, afirmou ontem ao Jornal de Angola a directora provincial do Instituto Nacional de Estatística (INE). Débora Ferro disse que, face à situação, pediu ao regedor municipal que acompanhe o trabalho de uma equipa de técnicos do INE e da saúde no bairro da Paz para esclarecer os moradores sobre a importância de colaborarem nesta campanha. A responsável declarou que o trabalho foi desenvolvido sem problemas nos bairros Azul, Cunha, Tomás e Hoji-Ya-Henda, ao contrário do que sucedeu no da Paz.
A directora do INE garantiu que, apesar da recusa de várias pessoas em colaborar com os técnicos, a campanha prossegue até serem obtidos os dados necessários em toda a província.
Débora Ferro afirmou estar esperançadas que a campanha decorra melhor nos outros municípios, pois os administradores e as autoridades tradicionais têm realizado acções de esclarecimento nas comunidades e distribuído panfletos informativos porta a porta.Na campanha para a recolha de dados sobre indicadores múltiplos de saúde, iniciada em 20 de Outubro, participam oito inquiridores e um cartógrafo. A campanha de recolha de dados destina-se a obter, informações sobre mortalidade materno-infantil, saúde reprodutiva, doenças sexualmente transmissíveis, anemia e violência doméstica para ajudar o Estado a distribuir melhor os serviços sociais.

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