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Hospital tem falta de médicos e enfermeiros

Weza Pascoal | Menongue

A falta de médicos e enfermeiros no Hospital Pediátrico de Menongue compromete um atendimento mais humanizado a centenas de crianças que acorrem à unidade sanitária, disse ontem, ao Jornal de Angola, a directora da instituição.

Milhares de crianças com diversas patologias deram entrada durante o primeiro trimestre deste ano no banco de urgência
Fotografia: Lourenço Bule|Menongue

Elsa Calenga mostrou-se preocupada com o actual quadro na unidade sanitária e referiu que o hospital dispõe apenas de três médicos e 34 enfermeiros, número insuficiente para responder às necessidades.  
No passado, disse Elsa Calenga, o hospital contava com cinco médicos, dos quais dois angolanos e igual número de cubanos e um russo, mas infelizmente dois tiveram de regressar aos seus países.
Há mais de cinco anos que o sector da Saúde na província não beneficia de um concurso público para admissão de técnicos, razão pela qual o hospital não recebeu médicos e enfermeiros durante este período.
Dada a escassez de médicos e enfermeiros, a directora do Hospital Pediátrico reconheceu que o atendimento aos pacientes fica muito aquém das expectativas e as crianças são atendidas tardiamente, por falta de capacidade de resposta urgente.
“Temos sérias dificuldades no atendimento, principalmente neste período chuvoso em que registamos elevados casos de patologias, como a malária e as doenças diarreicas e respiratórias agudas.” Outra preocupação manifestada pela directora da Hospital Pediátrico de Menongue tem a ver coma a falta de fármacos suficientes para acudir as 180 crianças que são atendidas diariamente.
“Os fármacos que possuímos no stock são administrados principalmente aos doentes que se encontram internados. No caso daqueles que estão em regime ambulatório, não temos outra saída senão passarmos receitas, esclareceu Elsa Calenga.
Em função da actual situação, Elsa Calenga aconselhou os pais ao uso de mosquiteiro e redes nas janelas e a ferverem a água para beber, com vista à diminuição de doenças, mas advertiu que também é necessário eliminarem o lixo e as águas paradas.
O Hospital Pediátrico de Menongue conta com áreas de estomatologia, raio x, banco de urgência, farmácia interna e externa. Também possui um laboratório, hemoterapia, cirurgia, neonatologia, salas de internamento, serviços de nutrição e dois consultórios.
Elsa Calenga referiu que durante o primeiro trimestre deste ano, o banco de urgência do Hospital Pediátrico de Menongue atendeu 13. 927 crianças, com diversas patologias. Dos casos registados, a malária surge com 6.491 ocorrências, doenças respiratórias agudas com 1.116, diarreicas agudas com 700 e a parasitose com 436 casos.
Durante o ano de 2015, o Hospital Pediátrico registou 23.215 casos de malária, doenças diarreicas agudas 5.128, respiratórias agudas 2.813, parasitose 2.256, gripe 1.302, pneumonia 475 e dermatite 401.
Foram registado 269 casos de schistosomiase , otite média 194, febre tifóide 174, conjuntivite 172, sarampo 165 e anemia 161, varicela 144, infecção urinária 63, icterícia 39, sarna 37 e sepsi neonatal 19 casos.

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