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Inac suspeita de tráfico de seres humanos

Carlos Paulino | Menongue

Pelo menos, três pessoas, das quais uma menor, continuam desaparecidas desde Janeiro, do município do Cuangar, província do Cuando Cubango.

Fotografia: DR

A chefe do serviço provincial do Instituto Nacional da Criança (INAC), Aida Rosalina Pedro, explicou que, segundo informações que re-cebeu dos familiares das pessoas desaparecidas, pensa-se na possibilidade de casos de rapto ou tráfico de seres hu-manos, tendo em vista que o município do Cuangar faz fronteira com a República da Namíbia, onde têm acontecido situações do género.
Sem precisar as idades das vítimas, Aida Rosalina Pedro disse que a situação está a preocupar as autoridades da província, que, em coordenação com os órgãos de defesa e segurança estão a analisar os factos e outras ocorrências, com o propósito de se definir medidas de segurança das comunidades.
Numa primeira fase, acrescentou, o Inac aconselhou a população a não se deslocar às lavras de forma isolada, ou mandar crianças sozinhas para longas distâncias, visan-do evitar possíveis casos de rapto ou de tráfico de seres humanos.
Aida Pedro realçou que, tendo em conta que a província do Cuando Cubango faz fronteira com as repúblicas da Zâmbia e da Namíbia, países que têm registado casos de rapto e de tráfico de seres humanos, urge a necessidade de redobrar-se o sistema de segurança. Salientou que muitos camponeses residentes nos municípios da orla fronteiriça, nomeadamente Cuangar, Calai, Dirico e Rivungo, informaram ao Inac que quando vão às lavras têm estado a deparar-se com pessoas estranhas e que às vezes dão corrida, sobretudo às crianças.
Recordou que já houve indícios de rapto de crianças que foram parar à província do Cuando Cubango, provenientes de outras regiões do país, retiradas do seio familiar por cidadãos estrangeiros, principalmente da República Democrática do Congo (RDC), que pretendiam levá-las para fora de Angola, a partir das fronteiras com a Namíbia e a Zâmbia.
Aida Pedro sublinhou que, apesar de a província não registar até agora um caso confirmado de rapto de crianças, há toda a necessidade de redobrar-se os níveis de segurança e protecção, para que estes crimes não aconteçam na região.
Fez saber que o Inac agendou um ciclo de palestras que visam fazer com que as comunidades saibam como evitar casos de rapto ou de tráfico de seres humanos, sobretudo de crianças, bem como reforçar os mecanismos de segurança, principalmente na transitabilidade de menores nas zonas fronteiriças. As palestras foram já realizadas nos municípios do Cuangar, Calai e Dirico, estando previstas, nos próximos dias, nas localidades de Mavinga, Rivungo, Cuito Cuanavale, Nancova e Cuchi.

Casos de violência

Aida Rosalina Pedro informou que, durante o ano passado, foram registados 60 casos de violência contra crianças, cometidos na sua maioria no seio familiar, com destaque para fuga à paternidade, ofensas corporais, abuso sexual e maus-tratos.
O serviço provincial do Inac, ainda de acordo com Aida Pedro, não registou ne-nhum caso de violência contra crianças, desde Janeiro do corrente ano, em parte porque muitas pessoas na província ainda não têm a cultura de denunciar.
"Muitos casos de violência contra as crianças, que são praticados nas comunidades, são abafados no seio familiar, o que faz com que as instituições de direito não consigam dar o devido tratamento", disse Aida Pedro.

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