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Inaugurado em Menongue centro piloto agro-ecológico

Lourenço Bule | Menongue

A Província do Cuando Cubango conta, desde ontem, com um centro piloto agro-ecológico, o primeiro na região, inaugurado na localidade do Bimbi, a 70 quilómetros da cidade de Menongue.

Corte da fita que marcou a inauguração do centro agro-ecológico foi feito pela ministra do Ambiente e pelo vice-governador do Cuando Cubango
Fotografia: Edições Novembro |

O projecto, co-financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e pelo Fundo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), ocupa uma área de 30 hectares e está vocacionado à formação dos camponeses, sobretudo mulheres, na prática da agricultura, piscicultura, apicultura e manutenção dos solos, bem como o ensino de boas práticas para a protecção ambiental. Vinte dos trinta hectares estão reservados ao cultivo de produtos do campo, treino dos camponeses no aperfeiçoamento das boas práticas na produção de bens alimentares e preservação do meio ambiente. O centro piloto agro-ecológico está  equipado com quatro tanques de oito metros quadrados e 1.90 metros de profundidade, para a criação de peixe cacusso e bagre. Tem duas residências do tipo T3 para os técnicos, uma área administrativa, um jango comunitário, loja para venda das mercadorias ali produzidas e uma área para a produção de adubo em líquido e gás butano.
O director técnico do projecto, Francisco Santos, explicou que o centro piloto agro-ecológico do Bimbi vai produzir mensalmente cinco mil litros de adubo e mil litros de biogás, através da decomposição de excrementos dos animais e resto de alimentos que não tenham pico ósseo.
Francisco Santos realçou que os restos de batata, tomate, repolho, couve, milho, massango, massambala, entre outros, que não tenham ossos, podem ser   transformados em adubo líquido ou gás butano, que pode ser usado na cozinha. De acordo com o responsável, o adubo líquido produzido no centro piloto agro-ecológico do Bimbi serve apenas para sustentar a produção agrícola e a criação de pintos, ao passo que o gás é utilizado na cozinha do  centro, visto que ainda não foi desenvolvida uma técnica para o enchimento de botijas.
De acordo com director técnico do projecto, Francisco Santos, os quatro tanques têm a capacidade de albergar mil peixes cada, que após atingirem a idade adulta são comercializados, bem como os produtos do campo que forem produzidos no centro agro-ecológico.

Casamento perfeito

A ministra do Ambiente, Fátima Jardim, considerou ser um casamento perfeito entre a agricultura e a ecologia na educação da população, combate à fome e à pobreza, assim como no desenvolvimento de práticas e aproveitamento de alimentos, para o melhoramento das condições de vida das comunidades.
Salientou que os centros ecológicos são uma inovação entre a ecologia e a agricultura para que Angola possa participar no projecto da economia verde.
Os mesmos estão virados para a educação para a sustentabilidade na componente ambiental e agrícola, para melhor aproveitamento dos desperdícios.
Para Fátima Jardim, com a edificação de centros do género serão bem preservados os ecossistemas, valorizar cada vez mais o capital natural, desenvolvimento de práticas agrícolas adequadas e produção de adubos em líquido, para a acabar com a prática das queimadas.
“Vamos ensinar as populações a poderem ter uma visão agro-ecológica, de evolução e educação sobre a energia verde, valorizando o capital natural dos quais um dos principais factores é o homem”, disse.
No país, disse, foram construídos quatro centros agro-ecológicos financiados pelo Banco Africano de Desenvolvimento, no Namibe, Huambo, Cabinda e agora no Cuando Cubango.
Fátima Jardim anunciou que está a ser erguido no país, através do financiamento do BAD, o instituo das áreas de conservação e foram formados mais de 400 auditores, 40 mestres em formação ambiental, para o desenvolvimento sustentável de Angola.

  Financiadores garantem mais apoio para outros projectos

O vice-governador do Cuando Cubango para o sector económico e produtivo, Ernesto Kiteculo, reconheceu que a província  é uma grande potência para a implementação de projectos agrícolas, visto que possui vários recursos hídricos, faunísticos e humanos.
“O governo local se regozija quando o Executivo planeia grandes projectos para a província, transferindo alegria para o povo do Cuando Cubango”, disse Ernesto Kiteculo, para quem  a localidade do Bimbi é uma zona inóspita, onde quase não existe nada, nesta senda a implementação deste projecto no local trará desenvolvimento e benefícios para a população da região.
Por outro lado, o  representante do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) em Angola, Septime Martin, garantiu que aquela instituição vai continuar a apoiar o país, com realce para a província do Cuando Cubango, devido a sua potencialidade hídrica, fauna e flora invejáveis, para que possa ser transformada num elemento crucial para o desenvolvimento sustentável da nação angolana. Disse que o financiamento para a construção do centro piloto agro-ecológico do Bimbi mostra o interesse da sua instituição no desenvolvimento económico e social dos países membros e regionais. Septime Martin sublinhou que o referido projecto vai, além da formação técnica das mulheres e dos jovens, acompanhar o desenvolvimento sustentável de Angola, no que toca as boas práticas da agricultura.

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