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INEMA tem um médico para 900 mil habitantes

Lourenço Bule |Menongue

Os serviços do Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA) no Cuando Cubango debatem-se com a falta de profissionais de saúde, instalações adequadas e de meios de transporte para socorrer pacientes graves ou vítimas de calamidades em toda a extensão da província.

Muitos pacientes de zonas recônditas não são socorridos por falta de meios apropriados
Fotografia: Estanislau Costa Edições Novembro

O responsável do INEMA na região, Edson Arantes, disse que a maior parte das aldeias, comunas, incluindo as próprias sedes municipais não dispõem de condições mínimas, técnicas e humanas, para atender casos graves."Quando somos solicitados ficamos de mãos atadas e o paciente acaba por morrer, tudo porque os meios à nossa disposição não são compatíveis com a realidade da província", acrescentou.

O INEMA, ainda de acordo com Edson Arantes, necessita também com urgência de material para pequenas cirurgias, meios para medir o índice de açúcar no sangue, bem como de equipamentos diversos de ginecologia e obstetrícia, a julgar pelos elevado número de partos feitos ao longo do trajecto.
Edson Arantes realçou que actualmente a população do interior da província, para levar um doente grave até a unidade sanitária mais próxima, socorre-se das velhas práticas, usando tipóias ou carroças puxadas por animais e na maior parte dos casos os pacientes não resistem devido às longas distâncias.
"Necessitamos de apoio aéreo para atender as zonas mais longínquas da província. Muitas vezes recebemos chamadas destes municípios mas por falta de meios de transporte adequados não sabemos o que fazer, devido também as longas distâncias entre as distintas localidades, que podem chegar até mil quilómetros”, lamentou.
O responsável do INEMA explicou que certo dia uma equipa a bordo de uma ambulância do tipo Land Cruiser 4X4 levou perto de 16 horas para chegar até à sede municipal de Nancova, que dista cerca 300 quilómetros da cidade de Menongue, e felizmente conseguiu socorrer o paciente, que até hoje vive, depois do tratamento no Hospital Geral do Cuando Cubango.
Segundo Edson Arantes, devido aos constrangimentos, o INEMA do Cuando Cubango limita-se a socorrer as pessoas em situação vulnerável nos municípios de Menongue, Cuchi e Cuito Cuanavale, porque as suas sedes estão ligadas entre si, com estradas asfaltadas.
Edson Arantes disse que o departamento provincial do INEMA funciona em instalações adaptadas, no Hospital Municipal de Menongue, que não oferece condições apropriadas e conta com apenas seis ambulâncias, das quais quatro de suporte vital avançado e duas de suporte vital básico.
"Para o pleno funcionamento do INEMA seria necessário que todas as unidades sanitárias da região tivessem uma equipa especializada, entre médicos, enfermeiros e motoristas, de forma a prestar melhor assistência aos pacientes e garantir que a sua evacuação seja feita de forma salutar."
Edson Arantes, por sinal o único médico em serviço no Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA) no Cuando Cubango, disse que a instituição conta com apenas quatro enfermeiras e dois motoristas, para atender um universo de aproximadamente 900 mil habitantes.

Trabalho árduo

Edson Arantes disse que o Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA) no Cuando Cubango necessita de médicos, enfermeiros, motoristas e telefonistas para a recepção de chamadas e ambulâncias, para dar maior celeridade aos serviços prestados e garantir melhor assistência à população.
Edson Arantes apontou ainda como necessidades a falta de formação contínua e especifica nas áreas de emergências médicas, suporte básico de vida, suporte vital avançado, suporte vital de trauma, bem como uniformes e equipamentos apropriados para o serviço de emergências médicas, rádios de comunicação, material informático, subsídios de deslocação e risco de vida.
“Muitas vezes ficamos nos corredores das unidades sanitárias com pacientes em estado grave”, disse o médico Edson Arantes , para acrescentar que o Hospital Geral do Cuando Cubango é o único na região com uma sala específica para os técnicos do INEMA, equipada com três camas e equipamentos modernos.
Edson Arantes reconheceu existir pouca informação sobre o serviço prestado pelo INEMA no Cuando Cubango, havendo necessidade de se publicitar e passar mais informação à população, com o intuito de se evitar a chegada tardia de pacientes às unidades hospitalares da região.

 

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