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Jacaré que matou pessoas foi morto

Weza Pascoal | Cuchi

Um jacaré de três metros de comprimento e 70 centímetros de largura foi morto a tiro por um cidadão não identificado no último domingo, no município do Cuchi, quando rondava nas margens do rio com o mesmo nome, na tentativa de atacar as pessoas que se encontravam no local a tomar banho ou a fazerem trabalhos domésticos.

Em declarações à imprensa, o comandante municipal da Polícia Nacional, Manuel Alfate Marcelino, disse que só mataram o jacaré porque suspeita-se que é o mesmo que desde o princípio deste ano devorou oito pessoas e feriu gravemente duas outras no rio Cuchi.
 Manuel Marcelino acrescentou que esta informação só foi possível graças a população que denunciou que o jacaré estava a rondar as margens do rio e que tentou atacar duas pessoas que se encontravam a tomar banho.
Explicou que de um tempo a esta parte a administração municipal e as autoridades tradicionais locais estão preocupadas devido ao aumento de ataques de jacarés na região, razão pela qual têm desenvolvido esforços conjuntos no sentido de resolver esta situação.  No domingo passado, acrescentou, a população montou uma emboscada e conseguiram alvejar o animal com um tiro, que determinou a sua morte, para que as pessoas possam usar o rio normalmente sem ameaças de jacarés.
Manuel Marcelino informou que não é a primeira vez que se regista a morte de jacaré no município do Cuchi. Acrescentou que entre Fevereiro e Março houve a morte de um destes predadores que tentava atacar uma criança e foi morto pelo pai da vítima.
A administradora municipal, Verónica Mutango Adolfo, mostrou-se bastante preocupada pelo facto da população da sua área de jurisdição não acatar os conselhos que lhes são transmitidos e ainda assim preferirem tomar banho e fazer os trabalhos domésticos nos rios onde se encontram os jacarés.
“Estes jacarés tiram-nos o sono, porque acreditamos que não é o único a nível dos rios na região. Durante este ano já foram mortas oito pessoas e não sabemos como fazer para acabar com eles, porque quando apanham as pessoas levam-nas para abaixo da água e ninguém mais vê a vítima”, disse a administradora.
Verónica Mutango Adolfo explicou que para inverter a actual situação, a administração municipal tem sensibilizado à população no sentido de irem apenas ao rio para ir buscar água e fazerem os seus trabalhos domésticos em casa, situação que não tem tido bons resultados.
“Além das campanhas de sensibilização, a administração local está a envidar esforços para aumentar o número de lavandarias, furos de água e chafarizes para acabar com os ataques dos jacarés”, disse.
Santos Miguel Ntchamba, adolescente de 15 anos, que foi um dos sobreviventes ao ataque de um jacaré ocorrido no dia 4 de Março e que perdeu o seu braço esquerdo, apelou os munícipes do Cuchi a não tomarem banho no rio, pois podem também ser atacadas ou até mesmo perderem a vida.
Miguel Cambinda, pai de Santos Ntchamba, disse que o seu filho só não perdeu a vida no ataque do jacaré devido a pronta intervenção dos efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA).

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