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Jovens enfrentam dificuldades no acesso ao ensino superior

Weza Pascoal | Menongue

O jurista Adriano Sapiñala defende a conclusão urgente das obras do Pólo Universitário de Menongue, paralisadas há mais de oito anos, para minimizar as dificuldades que os jovens na província do Cuando Cubango encontram no acesso ao ensino superior.

Falta de escolas deixa muitos jovens fora da universidade
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

Adriano Sapiñala, que falava à imprensa no final de um debate sobre o estado do ensino superior no Cuando Cubango, promovido pelo Conselho Provincial da Juventude, disse que o número insuficiente de instituições superiores tem provocado a fuga de muitos quadros e alguns jovens limitam-se a ficar em casa, porque na província não conseguem dar continuidade à formação académica.

“É necessário aumentar o número de instituições de ensino superior públicas e privadas na província do Cuando Cubango, porque as duas existentes, nomeadamente a Universidade Cuito Cuanavale e o Instituto Superior Politécnico Privado de Menongue, não suportam a demanda de jovens que vêm dos quatro institutos médios da região, bem como enriquecer cada vez mais o plano curricular das universidades já existentes, no sentido de se dar resposta às exigências da juventude”, disse.
Adriano Sapiñala, também secretário provincial da UNITA, explicou que já visitou várias vezes as obras do Pólo Universitário de Menongue, cuja conclusão vai colmatar as dificuldades que a província enfrenta no que diz respeito à formação superior, visto que a Universidade Cuito Cuanavale e o Instituto Privado não funcionam em instalações apropriadas.
Acrescentou que a Universidade Cuito Cuanavale está quase fragmentada, as instalações funcionam de forma separada, “o que não ajuda na formação efectiva dos jovens, pois a reitoria deve funcionar dentro das instalações da universidade, para acompanhar o desenrolar da formação, as reclamações sobre os docentes e o comportamento dos discentes, entre outras questões”.
Na óptica de Adriano Sapiñala, é necessário enriquecer cada vez mais o plano curricular das instituições superiores já existentes, porque os jovens que terminam o ensino médio têm enfrentado muitas dificuldades para dar continuidade à sua formação, o que provoca dois cenários: fuga de quadros, porque vão deslocar-se para outras províncias para dar continuidade aos seus estudos e, se encontrarem melhores condições de vida, já não regressam, e desistência dos que não têm condições financeiras, que optam por ficar em casa e tornam-se mais vulneráveis para entrar para o mundo da criminalidade.

Cursos ministrados

A Universidade Cuito Cuanavale lecciona os cursos de Biologia, Matemática, Informática, Gestão do Turismo e Enfermagem, que não correspondem às exigências dos jovens que, actualmente, estão mais viradas para os cursos de Economia, Direito, Psicologia e Sociologia, entre outros.
Actualmente, o Instituto Superior Politécnico Privado de Menongue (ISPPM) lecciona os cursos de Economia e Gestão, Engenharia Informática, Comunicação Social, Direito e Psicologia, mas nem todos os jovens têm condições financeiras para pagar pela sua formação. “O Estado deve assumir a sua responsabilidade criando condições”, frisou.

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