Províncias

Jovens com necessidades especiais estão sem apoios e fora das escolas

Carlos Paulino | Menongue

Mais de  3.000 crianças e adolescentes com necessidades educativas especiais estão fora do sistema normal de ensino, por falta de instalações, revelou ontem o chefe de departamento do ensino geral do Kuando-Kubango.

Responsável pela área do ensino especial lamentou o facto de existirem pais que discriminam os próprios filhos por possuírem deficiências
Fotografia: Carlos Paulino|Menongue

Mais de  3.000 crianças e adolescentes com necessidades educativas especiais estão fora do sistema normal de ensino, por falta de instalações, revelou ontem o chefe de departamento do ensino geral do Kuando-Kubango.
Filipe Lutonda disse que a falta de equipamento e instalações apropriadas para a aprendizagem de crianças que necessitam de cuidados especiais provocou a exclusão dos que são portadores de deficiências mentais, auditivas e visuais.
 Devido a esta situação relacionada com a falta de escolas, no presente ano lectivo, foram apenas matriculados 477 alunos da iniciação à nona classe, dos quais 223 do sexo feminino.
No ano passado, 410 estudantes frequentaram o ensino especial e 352 transitaram de classe, 24 reprovaram e outros 34 acabaram por desistir.
 Filipe Lutonda pediu ao Governo Provincial para, dentro das suas políticas de expansão de instituições escolares, contemplar a construção de escolas de ensino especial em todos os municípios.
O apelo surge do crescimento de crianças com deficiências mentais, auditivas e visuais na província do Kuando-Kubango.
 A responsável local para a área do ensino especial, Amélia Jamba, apontou a falta materiais essenciais, como manuais de apoio, aparelhos auditivos, merenda escolar e meios de transportes, como entraves ao normal funcionamento do sector e para o ingresso na escola de mais crianças com necessidades especiais.
  Amélia Jamba disse que o ensino especial tem como objectivo fundamental ajudar as pessoas com deficiências, para que tenham também acesso à educação e sejam elas também parte integrante da sociedade.
A responsável da área do ensino especial lamentou o facto de existirem pais e encarregados de educação que discriminam os próprios filhos por possuírem deficiências.
Este facto, realçou, tem concorrido negativamente para o abandono das crianças e adolescentes portadores de deficiências.
“Somos contra esta atitudes dos pais e encarregados de educação que agem desta forma. Achamos deselegante este tipo de comportamento para com os seus próprios filhos inocentes”, disse. Amélia Jamba disse que, desde 2000, altura que o ensino especial chegou à província do Kuando- Kubango,  já foram formados 15 alunos com deficiências mentais, auditivas e visuais.
Por falta de uma escola do ensino especial  médio, disse, muitos destes alunos foram dar continuidade aos estudos nas províncias de Luanda e Benguela.
O Kuando-Kubango conta actualmente com dois estabelecimentos vocacionados para o ensino especial, sendo um na cidade de Menongue, pertença da Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA) e a outra da Igreja.

Tempo

Multimédia