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Khoisan precisam de ajuda alimentar

Nicolau Vasco | Ntompa

Cerca de oito mil membros da comunidade Vassequel, que habita no sul da província do Cuando Cubango, registam uma acentuada escassez de alimentos, como resultado da estiagem que assolou a região em 2015 e das queimadas das florestas que destruíram a maior parte das árvores de frutos silvestres, principal fonte de alimentação dos Khoisans.

Grupo de empresários responde ao pedido de socorro das comunidades Khoisans com bens
Fotografia: Nicolau Vasco | Ntompa

O soba dos Vassequeles que habitam na aldeia de Ntompa, a 175 quilómetros da cidade de Menongue, Fernando Cambinda, de 76 anos, explicou que as queimadas e a seca prolongada que afectou a região sul da província destruíram as poucas culturas que possuíam e retardou o florescimento das árvores de frutas, o que está a provocar no seio da comunidade uma procura por alimentos nunca antes vista.
Fernando Cambinda disse que a maior parte das pessoas, para sobreviverem, abandonaram as suas  aldeias e andam perdidas nas matas, onde realizam actividades de caça e recolecção de frutos silvestres e, apesar da fome severa que está a assolar os Khoisans, ainda não há relatos de mortes.
“Neste período do ano, já teríamos frutas em grande quantidade para a nossa a alimentação, mas, por causa das queimadas e da chegada tardia das chuvas, muitas destas árvores silvestres floriram tarde, excepto as de maboque, que existem em pequenas quantidades e que têm ajudado  a fome” frisou Fernando Cambinda.
Fernando Cambinda disse que além da alimentação e medicamentos, as necessidades vão do vestuário, calçado, cobertores, tendas, sementes e instrumentos de trabalho, até charruas e gado de tracção animal, com vista a dinamizar a agricultura familiar.
O soba dos Vassequeles sublinhou  que, há cerca de quatro anos, o Governo da província iniciou  um programa de socialização das comunidades Khoisans dispersas um pouco por toda a ­região do Cuando Cubango, agrupando-os em aldeias, onde eram colocados alguns serviços sociais básicos, como escolas, postos de Saúde, furos de água e fornecimento de alimentos, mas, desde então, tudo voltou à estaca zero.
 Para responder ao grito de socorro das comunidades Khoisans (Vassequeles), um grupo de empresários locais doou,  nas localidades do Mbundo, Ntompa, Mambanda, um total de três toneladas de produtos diversos, para beneficiar cerca de 200 pessoas. Entre os produtos entregues constam 170 litros de óleo de cozinha, vinte sacos de roupa usada, 60 pares de calçado, 16 sacos de arroz, vinte de fuba de milho, 12 sacos de sal de 25 quilogramas, dez caixas de massa alimentar e utensílios de cozinha, como baldes, bacias, canecas, uma iniciativa das empresas Fratchicote e Mingas e Filhos.
 Francisco Chicote, responsável da empresa Fratchicote, disse que  os bens de primeira necessidade foram adquiridos com fundos próprios, em parceria com a Minga e Filhos, com o propósito de responder ao grito de socorro da administração comunal do Caiúndo, que apelou à sociedade para ajudar este grupo vulnerável.
O empresário disse que  as condições constatadas no terreno não são boas, as pessoas alimentam-se de maboque e de ervas confeccionadas sem óleo alimentar e como resultado o grau de subnutrição entre os membros da comunidade é muito grande, pelo é urgente o envolvimento de toda a sociedade, sob pena dos vassequeles estarem em vias de extinção.
A empresária Domingas Cassanga, da empresa Mingas e Filhos, assegurou que vai procurar mobilizar mais ajudas em alimentos, vestuário, medicamentos, utensílios de cozinha, porque o que observou é muito grave e as pessoas não podem mostrar-se alheias a esta realidade dos Khoisans.

 

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