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Maioria das parturientes são menores

Nicolau Vasco e Lourenço Bule | Menongue

Mais de 60 por cento dos partos realizados na Maternidade de Menongue, no Cuando Cubango, foram de adolescentes dos 13 aos 17 anos, revelou, ontem, a directora da unidade sanitária.

Muitas das parturientes assistidas nos serviços de maternidade do Cuando Cubango são adolescentes
Fotografia: Nicolau Vasco

Delfina Jamba disse que, no período de Janeiro a Maio deste ano, a maternidade realizou 528 partos, dos quais 316 casos foram efectuados a menores, o que considera uma situação alarmante.
A directora da maternidade sublinhou que do total de partos assistidos 68 resultaram em nados mortos, houve 55 abortos, 54 casos de cesarianas e 11 mortes maternas.
Delfina Jamba disse que boa parte dos casos de morte ocorreram pela chegada tardia das gestantes à maternidade e do incumprimento regular das consultas pré-natais.
Delfina Jamba disse que no período,  3.284 mulheres grávidas afluíram às consultas pré-natais, na sua maioria adolescentes, mas  muitas delas abandonaram o acompanhamento hospitalar por razões desconhecidas.
Em função do elevado número de adolescentes grávidas, a responsável sanitária apelou ao reforço do diálogo na família, com uma abertura dos pais para abordar questões da sexualidade com os filhos, desde muito cedo.
A directora da maternidade acredita que as estatísticas de gravidezes precoces podem conhecer uma redução significativa. Durante as consultas pré-natais, 615 grávidas acederam aos testes do VIH/Sida, 42 testaram positivo e foram submetidas ao tratamento de corte de transmissão vertical, para  evitar o contágio da doença de mãe para o bebé. A maternidade realizou 438 consultas de planeamento familiar.

Partos caseiros

Questionada sobre as mortes registadas durante o período em balanço, a directora Delfina Jamba disse que os óbitos são resultado da desobediência de algumas gestantes, por abandonaram as consultas. Outro grande problema registado pela responsável tem a ver com os partos feitos em casa. Quando mal sucedidos, as famílias acorrem com as parturientes, já em estado grave, à maternidade.
Delfina Jamba disse que estas parturientes apresentam-se em estado clínico grave, com muita hemorragia pós-parto, malária e, às vezes, casos do útero em putrefacção. Delfina Jamba disse que estes casos são mais recorrentes em adolescentes, dai exortar os pais e encarregados de educação, fundamentalmente as mães, para terem uma participação cada vez mais activa no seio das famílias e manter um diálogo permanente com os filhos menores de 18 anos de idade, para terem noção da gravidez precoce e das suas consequências.
Outra chamada de atenção dirigida aos pais vai no sentido de estes terem maiores cautelas quando se deparam com situações de gravidezes precoces, uma vez que muitos procuram instituições inadequadas para provocar aborto, o que tem resultado em óbitos.

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