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Maioria dos partos realizada em adolescentes

Nicolau Vasco | Menongue

Cerca de 70 por cento dos partos realizados entre Janeiro e Setembro último a nível da Maternidade Provincial do Cuando Cubango foram efectuados em adolescentes dos 13 aos 17 anos, revelou ontem, em Menongue, a directora daquela unidade clínica.

Melhoria da assistência médica e medicamentosa contribui para uma redução significativa de mortes maternas na província
Fotografia: Nicolau Vasco | Menongue

Delfina Jamba disse que os responsáveis da unidade sanitária, que registou um total de 1.432 partos, dos quais 131 nados mortos, estão preocupados com a situação do aumento de casos de gravidez na adolescência.
A médica gineco-obstetra afirmou que a instituição registou ainda, no mesmo período, 121 abortos e 18 mortes maternas, estes últimos por os casos chegarem tardiamente à maternidade.
Quanto à esta situação, Delfina Jamba sublinhou que a maternidade tem registado uma redução significativa de mortes maternas, em comparação com os anos anteriores, fruto das campanhas de sensibilização levadas a cabo pelas autoridades sanitárias junto das comunidades.
Outra situação que tem preocupado bastante as autoridades sanitárias é o facto de existir ainda a nível da província do Cuando Cubango e, em particular no município de Menongue, muitas mulheres que insistem em fazer partos em casa, apesar dos vários casos de mortes de mães e de recém-nascidos.
Delfina Jamba disse que a Maternidade Provincial atendeu durante os três trimestres deste ano um total de 45.270 pacientes, nas áreas de trabalho de partos, consultas externas e pré-natais e do planeamento familiar. A directora do hospital acrescentou que no Centro de Aconselhamento de Testagem Voluntária (CATV) foram registados 842 testes, dos quais 52 resultaram em casos positivos de VIH.
Delfina Jamba considerou de positiva a afluência de mulheres registada nos últimos tempos no CATV, para saberem do seu estado serológico.
Realçou que a maternidade, com capacidade para 35 camas de internamento, realiza diariamente entre dez e 12 partos, serviço que é assegurado por 161 trabalhadores, sendo 91 técnicos clínicos. A unidade trabalha com três médicos de nacionalidade cubana, um angolano e igual número de coreanos, todos especializados em ginecologia e obstetrícia, além de 55 outros funcionários administrativos.
Riscos da gravidez na adolescência A directora da Maternidade Provincial do Cuando Cubango considerou a gravidez na adolescência no país e, em particular na província do Cuando Cubango, como um problema de saúde pública, com graves complicações obstétricas e repercussões para a mãe e para o recém-nascido. A par disso, a médica avançou igualmente que este tipo de gravidez pode acarretar problemas psico-sociais e económicos.
Face à situação, Delfina Jamba apelou os pais e encarregados de educação no sentido de terem uma participação cada vez mais social com as filhas sob sua tutela, para a consciencialização sobre aspectos da sexualidade. Sublinhou que as mães, principalmente, devem jogar um papel preponderante para a resolução deste problema, tendo em vista que as filhas sentem-se mais à vontade com elas na abordagem deste tipo de conversas.
A médica apelou à necessidade de se desenvolver um diálogo mais aberto entre pais e filhas, com vista a evitar com que as meninas engravidem muito cedo ou corram o risco de apanhar certas doenças sexualmente transmissíveis.
A directora sublinhou ainda que os pais devem ter muita atenção em relação aos casos dos filhos e, quando se depararem com situações de gravidezes precoces, para não se dirigirem a locais inadequados a fim de provocarem abortos, devido as consequências que a prática pode acarretar, como problemas psicológicos, infertilidade e, até, a morte.

Falta ambulância

A responsável da Maternidade Provincial do Cuando Cubango disse que actualmente a instituição está a funcionar sem ambulância, para acudir casos de emergência.
As duas ambulâncias que a instituição possuía estão avariadas. “Estamos, neste momento, a compartilhar uma única ambulância que existe no Hospital Central, que nem sempre está disponível para nós”, lamenta.
A par da falta de ambulância, a responsável avançou que a referida unidade sanitária carece ainda de mais médicos na área de laboratório, hemoterapia e de anestesistas. A unidade sanitária precisa ainda de ver instalada de forma urgente um bloco operatório, referiu a médica gineco-obstreta.

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